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Asas para Voar

18 out

Todo o grande conjunto formado pelos braços, ombros e escápulas prende-se ao corpo através de uma estreita rota em forma de “s” chamada clavícula, que desembarca no alto do peito por uma pequena articulação, a esterno-clavicular. Podemos facilmente imaginar a imensa liberdade de movimento que esse desenho propõe.

Cintura escapular vista de cima

A conexão dos membros superiores ao corpo não está baseada na robustez de suas articulações ou na precisão dos encaixes, mas na força dos músculos que grudam os braços ao tronco. Nos vertebrados, o encaixe das patas anteriores é de uma timidez notável se comparado à vigorosa articulação do quadril que conecta as patas traseiras à bacia. A estabilidade dos membros superiores não depende, assim, da estrutura articular, mas da força dos músculos que, dispostos em camadas, cresce em complexidade dentre os vertebrados até que alguns de nós possam alçar vôo.

Além da grande mobilidade oferecida por este modelo, ele se presta a proteger os sistemas vitais envolvidos pela caixa torácica, distribuindo o impacto sofrido pelos braços por 10 pares de costelas dispostas em cone, de cima para baixo, como um grande amortecedor de mola.

Em movimento ou parado, sob tensão ou relaxado, a posição do sistema formado pelos braços, ombros e escápulas depende do equilíbrio dos músculos que atuam sobre ele. A resultante das forças não apenas determina a posição dos braços em relação ao tronco, mas adapta continuamente a posição do tórax e, consequentemente do corpo todo, às solicitações dos membros superiores, colaborando para definir nossa postura patente.

Quando os ombros vêem à frente, o peito se “fecha”, a curva lombar aumenta e o tórax é recuado para atrasar o centro de gravidade e diminuir o desequilíbrio. Para manter a horizontalidade do olhar, o pescoço se dobra e o queixo avança.

Quando os músculos das costas são mais curtos que os do peito, os ombros são puxados para trás. O desequilíbrio posterior leva o abdome para trás e o esterno é empurrado para frente, projetando as costelas.

Tais desequilíbrios podem ser congênitos ou funcionais e ter origem em fatores extrínsecos ao tronco. Independente da origem, a correção postural contribui muito para eliminar estas deformidades.

Uma das muitas sacadas do yogi B.K.S Iyengar foi encarar o osso esterno como um painel de controle apto a desencadear mudanças posturais em todo o corpo. O conjunto formado pelas escápulas, braços e clavículas tem no osso esterno sua âncora no esqueleto, “levante o esterno” passa a ser a senha para iniciar a reorganização do tórax no espaço e preparar o corpo para posturas mais equilibradas e saudáveis.

Na postura Dandasana o osso esterno sobe ao mesmo tempo em que empurramos as mãos para baixo como se quiséssemos nos levantar do chão. Os músculos que se prendem às escápulas irão puxar as costelas para cima e alongar a coluna. Dandasana é a base para a maioria das posturas sentadas e o alongamento da coluna cria as condições para que flexões e rotações sejam praticadas de maneira equilibrada e segura.

Dandasana

Ao alinhar as costas é preciso muita atenção para não trazer a lombar à frente, situação evidenciada pela projeção anterior das costelas inferiores (8º a 10º par destacadamente). Esse blefe é muito comum para esconder restrições na mobilidade da pelve e tronco.

Uma postura de Yoga (ásana) é um momento privilegiado de observação e análise. Além de salientar eventuais desequilíbrios do corpo, o ásana expõe as soluções encontradas por nós para sobrepujar e, frequentemente, escamotear as dificuldades enfrentadas na prática de Yoga. Como um fotograma, o ásana aponta o ardil que os olhos não vêem e os sentidos não captam, mostrando os riscos assumidos pelo praticante para atingir determinados objetivos. Habituados que estamos a resultados imediatos, encarar as dificuldades de frente e reorganizar nossa postura consome mais tempo e disciplina do que estamos acostumados a investir.

Em não raras vezes, escolhemos a saída mais conveniente e, no exato momento em que os fins passam a justificar os meios, perdemos toda a riqueza de informações sobre nós mesmos oferecida pelo caminho do auto-conhecimento, pela prática sincera e pelo exercício consciente. Quando optamos pela ilusão do atalho, ironicamente, nos esforçando muito e não saímos do lugar.

Vegetarianos São Mais Inteligentes.

29 ago

Uma pesquisa que examina a relação do QI com a dieta a qual uma pessoa é submetida entre os 10 e 30 anos de idade mostra que vegetarianos são, em média, 5 pontos mais inteligentes que onívoros (comem carne).

8.170 homens e mulheres foram avaliados pelos pesquisadores da Universidade de Southaptom, no Reino Unido e, ainda que os resultados sejam inequívocos, a razão da grande influência da dieta vegetariana no desenvolvimento da inteligência não foi explicada e continua sendo estudada.

Veja artigo na British Medical Journal

Sobre Peixes e Homens.

28 fev

Sem um chão firme, atolamos. Afundamos até que o solo abaixo de nossos pés se compacte o bastante para impedir nossa viagem Terra adentro. Concentramos todo nosso peso na pequena área compreendida entre os calcanhares e os dedos dos pés. A partir desta parca base de apoio criamos um alicerce para erigir nosso corpo do chão com todos os seus segmentos e apetrechos. Assim descolamos da superfície em direção ao espaço.

Quando saltamos da água para a terra firme, há pouco mais de 380 milhões de anos atrás, o esqueleto, antes sustentado gentilmente pela água em toda sua extensão, passou a custear nossa empreitada contra a gravidade. Um grande número de músculos se desenvolveu para bancar essa excursão em direção à terra firme e conferir uma estrutura adequada para que os ossos pudessem dar conta do recado e continuar a exercer suas funções.

Nos mares e rios, enquanto desloca uma quantidade de água equivalente a sua densidade, um peixe não afunda nem bóia. Sobe à superfície ou mergulha coordenando seu deslocamento no eixo vertical através de um sistema intrincado de controle biofísico, gerenciado por um cérebro complexo e receptores de pressão extremamente sensíveis. Sair da água e desgarrar-se do chão não foi fácil e tivemos que rastejar muito no barro antes de começar a engatinhar em terra firme.

Não se tratava apenas de respirar ar ao invés de água. Deixar mares e rios para trás representou sobreviver à ausência da sustentação oferecida pela água, passar a suportar a força descendente da gravidade e adaptar-se à resistência ascendente do chão ao peso. Finas e delicadas barbatanas adensaram-se na forma de patas musculosas.

De quatro no chão, os músculos se entrecruzaram em toda a extensão do torso em várias camadas, sustentando e ligando a coluna vertebral entre a bacia e os ombros. Como uma ponte pênsil, o tronco foi erguido do chão entre as patas da frente e de trás, suspenso pelas linhas de força que interligam toda sua estrutura anatômica de forma global. Qualquer movimento, do mais amplo deslocamento ao gesto mais delicado, mobiliza todo o corpo de modo a equilibrar suas incursões no espaço. Pata anterior direita para frente, posterior esquerda para trás; enquanto a bacia apoia os ombros, os ombros equilibram a bacia e assim o corpo campeou sobre os mais diversos tipos de terreno, vegetação e clima.

Levou ainda algum tempo antes de conseguirmos tirar as patas anteriores do chão para derrubar nosso almoço das árvores ou esticar o braço pela janela do carro para pegar um lanche no drive thru. Aos trancos e barrancos, adquirimos a forma mais adequada para desempenhar as funções necessárias à nossa sobrevivência, sem abandonar completamente algumas características em desuso, carregando em nosso corpo toda a história que nos trouxe até aqui. E a história continua…

“Apesar de nossa evolução como bípedes, continuamos sendo quadrúpedes em toda nossa estrutura, como demonstram nossos gestos. (…) Sofremos as seqüelas dessa evolução ainda incompleta” (Marcel Bienfait).

Responder com liberdade às exigências do meio é um estatuto do corpo e uma premissa adaptativa sem a qual adoecemos. Contar com as condições para que as solicitações do meio possam ser solucionadas pelo corpo, promovendo as mudanças necessárias de modo eficaz, sem limitações e isento de dificuldades extraordinárias, é sinônimo de uma vida longa e sem sofrimento.

“Quando o homem levantou seu corpo do chão, assumindo a postura ereta, as desvantagens de se apoiar sobre uma base pequena foram enfrentadas por vários dispositivos e através de mudanças estruturais. Estas mudanças se mostraram insuficientes para resolver todos os problemas. Como consequência, o funcionamento do esqueleto como um mecanismo de proteção é frequentemente colocado em risco por ajustes mecânicos inadequados. A inteligência humana deve ser aplicada a este problema” (Mabel E. Todd).

Desequilíbrio Estático

3 jan

A perna direita impulsiona você à frente enquanto a esquerda descansa uma fração de segundo no ar antes de voltar à carga. Caminhando, deslocamo-nos no espaço. Ao observar as pegadas deixadas para trás, decompomos o movimento em uma série de períodos cuja unidade de tempo é dada em passos. Fica evidente o rastro de explosões de força que coordenamos para dar orientação e sentido a um movimento chamado “andar”.

Somos virtualmente incapazes de realizar um trabalho constante por um longo período de tempo, sem intermitência ou intervalo, pois a energia mobilizada por nós se esvai rapidamente e a bateria precisa ser recarregada. Assim pulsamos em ritmos variados, em ciclos de fatiga e descanso, carga e descarga, ação e inação, durante uma atividade física, durante o dia, o ano, durante uma vida.

Os grandes músculos superficiais estão aptos a mobilizar prontamente grande quantidade de força, mediante a cobrança de uma conta alta de energia, e precisam ser ciclicamente desligados para que possam se recuperar do esforço. Assim não conseguimos mantê-los em uso contínuo por muito tempo. Rentes à pele e facilmente observados, estes músculos inserem-se perto das articulações e são responsáveis pela considerável amplitude de movimento que dispomos, porém não oferecem grande precisão de movimento. É como tentar escrever com um lápis atado a uma vara de pesca: quanto mais distante do lápis estamos, menos preciso é nosso traço e maior é a linha que conseguimos traçar com ele.

Para nos mantermos em determinada posição por muito tempo, fazemos uso da musculatura profunda do corpo. Capaz de nos manter estáveis por longos períodos de tempo, estes músculos estabilizam nossas articulações e fazem a sintonia fina em nossa postura para que possamos nos movimentar com liberdade e segurança. Com fibras curtas e potentes, os músculos profundos não primam pela amplitude de movimento, mas pelo ajuste preciso das ações. Quando estamos sentados, por exemplo, a musculatura profunda da coluna empilha com precisão cada uma de nossas vértebras para equilibrá-las de forma eficiente e nos manter estáveis por muito mais tempo.

Quando a musculatura profunda do corpo está atrofiada, manda a fatura para os grandes grupos musculares que, incapazes de responder com a precisão e permanência adequadas a este tipo de estímulo, sobrecarregam as articulações e abrem as portas para um sem número de patologias articulares que irão afetar principalmente a coluna, os joelhos e os ombros.

Durante a realização de posturas de Yoga ou determinadas séries de Pilates, paramos no tempo e adentramos em nosso corpo para trabalhar sua musculatura profunda. A permanência em um ásana de Yoga como Padangustha Dandasana (foto abaixo), por exemplo, além do trabalho óbvio nos grandes grupos musculares posteriores da coxa, leva-nos a uma viagem em direção aos movimentos de extensão e flexão da coluna que raramente encontramos em outra atividade física. Conectar nossa consciência a estas regiões terá reflexos imediatos em nossa postura global.

 null Padangustha Dandasana alonga os músculos interespinhais , transverso
espinhal e subocciptais promovendo o alongamento longitudinal da coluna
antes da flexão
.

Adquirimos com o tempo de prática uma inteligência neuromotor que se expandirá a outras atividades em nosso cotidiano.

Estamos em constante movimento e pulsamos como pulsa nosso coração, nossa respiração e tudo aquilo que entendemos por movimento resume-se em essência a instantâneos conectados em linha que oferecem a idéia de tempo e movimento. A prática de atividades como Yoga e Pilates têm o poder de nos mostrar em detalhes cada um destes fragmentos de movimento e reconduzir cada estímulo ao seu devido lugar.

“Tempo é o desenrolar do meu corpo no espaço”. Ivaldo Bertazzo

Uma Pedra no Caminho.

26 out

Mais de 200 articulações evoluíram no mínimo 100mil anos e adaptaram-se das savanas africanas às montanhas do Himalaia, do calor do equador ao gelo dos pólos e colonizaram o mundo, tudo isso para terminarmos presos a uma baia de escritório, movimentando-nos do trabalho para a garagem, da garagem para casa, de casa para a garagem e de volta para o trabalho. Ainda vivos, submetemos com naturalidade nosso corpo à rotina de um moribundo terminal. Obviamente adoecemos.

A dor eclode em nossas vidas como um incômodo obstáculo interposto em nossa história que deve ser rapidamente suplantado a fim de podermos continuar fazendo o que queremos da maneira que escolhemos.

A dor, como a pedra de Drummond, nos obriga a parar e observar – duas coisas que estamos desabituados a fazer. “No meio do caminho tinha uma pedra”. Mais fácil é chutar a bendita e continuar andando, afinal, se há algo que conseguimos fazer com maestria é chutar. Resolvemos com demora e dificuldade nossos problemas, mas procrastinamos com a habilidade de um craque.

Não vemos a dor como resultado de um processo; mais acostumados estamos a entendê-la como um acidente de percurso. Tentamos retardá-la, sublimá-la, desqualificá-la e subjugá-la de todas as maneiras que encontramos. Topamos qualquer parada: de remédios a terapias miraculosas. Pagamos alto e exigimos resultados imediatos. Não nos importamos em submeter nosso corpo às penas previstas nas contra-indicações das bulas, desde que não precisemos mudar uma linha em nosso diário.

Atados à baia, ficamos doentes, doentes ficamos improdutivos e improdutivos tornamo-nos desqualificados para o trabalho. Sinuca de bico. Melhor é empurrar tudo para baixo do tapete. E quando não houver mais tapete, já no consultório médico, somos solicitados a parar as já estagnadas articulações: Pare o que você está fazendo e usufrua do fantástico mundo dos analgésicos, anti-inflamatórios e miorrelaxantes. Saída mais rápida, simples e conveniente não há. Difícil é encarar as coisas de frente e sair da zona de conforto.

Culturas que guardam bons hábitos posturais geralmente envolvem grande variedade e diversidade de movimentos em seu cotidiano: Sentam-se no chão, correm, carregam peso de variadas formas e andam muito. As mulheres Xhosa de Transkei (leste da África do Sul), por exemplo, saem de casa bem cedo e vão para o trabalho dançando pelos campos.

Se a dor é um sinal, o resultado de um processo como dissemos, não deve ser entendida como causa de sofrimento, mas forte aliada pela busca de uma solução, ainda que esta solução nos pareça tão impraticável quanto dançar pelas ruas nas manhãs de segunda-feira.

Conquistar a capacidade de observar a dor, sem se deixar governar por ela, é encontrar a suma liberdade. Freqüentemente trocamos os grilhões da dor pela dos remédios, das ideologias, das terapias e até, de forma enviesada, dos exercícios físicos. Frente à dor é preciso serenidade não ansiedade. É preciso observação e não identificação.

Onde esconderam os pesos?

17 ago

Quando você ouve a palavra “musculação” logo vem à mente a imagem de numerosas repetições de contração muscular usando anilhas de peso, sistemas de polias, roldanas e a consequente dor muscular. Mas se você já sentiu dor nos braços, pernas ou abdomem após uma boa aula de Yoga pode ter se questionado onde estavam escondidos os pesos .

Especialistas recomendam que alguma forma de musculação deva ser feita ao menos duas vezes por semana para manter um metabolismo eficiente. O trabalho com sobrepeso é também amplamente indicado por médicos para conter a perda de tecido ósseo e prevenir um sem-número de doenças degenerativas.

Para muitos de nós, essa conjuntura projeta uma visão de eterna escravidão às máquinas de musculação, barras de alteres e esteiras ao som de Kylie Minogue. Será que a prática de Yoga não pode substituir o trabalho com pesos e nos livrar de uma perspectiva tão sinistra quanto “Baby I can´t get you out of my head”?

O yogue norte-americano Rodney Yee costuma dizer que levanta pesos com frequência, “eu sempre levanto o meu corpo”. Quando você realiza posturas de Yoga, explica Yee, você está colocando seu corpo em determinadas posições onde sua força deve ser mobilizada para sustentar o seu peso.

Como muitos yoguis, Yee não gosta de encarar o Yoga como uma forma de esculpir o corpo. Os praticantes devem entender o Yoga como uma forma de pensar e agir com disciplina, comprometimento e foco, o que difere basicamente das preocupações com a aparência e estética.

Ainda assim, quando você pratica Yoga, pode se questionar de onde vai sair tanta força para manter-se em determinadas posturas por tanto tempo e até pensar no trabalho com pesos como uma forma de auxiliar na realização de determinadas posturas.

O Conselho Americano para o Exercício Físico define musculação como “exercícios com resistência progressiva com o propósito de fortalecer o sistema músculo-esquelético”, ou seja, uma vez que seu músculo se adapta a uma determinada carga, você deve aumentar a carga para continuar usufruindo dos mesmos resultados. Teoricamente você pode continuar a aumentar a força e o tamanho de seus músculos para sempre, desde que você continue a aumentar o peso.

No espectro oposto, a prática de Yoga ampara-se na contração excêntrica dos músculos. A resistência é oferecida pelo alongamento dos músculos, assim a resistência aumenta à medida que o músculo alonga. Dentro do método de hatha Yoga proposto por B.K.S. Iyengar, somos solicitados a coordenar os movimentos dos músculos agonistas e antagonistas dentro do princípio da “intrinsecacidade”, ou seja, em algumas posturas somos levados a contrair músculos que estão sendo alongados (facilitação proprioceptiva neuromuscular) e em outras devemos deliberadamente relaxar os músculos que não estão participando da ação (inibição recíproca).

Já a contração isotônica proporcionada pelas séries de musculação, tornam o músculo mais curto e mais inchado à medida que se contrai. Com o tempo, a ausência de um trabalho equivalente de alongamento deixa o músculo sem definição – com aparência de “bombado” – e, principalmente, sem amplitude suficiente para mobilizar quantidade satisfatória de força. Essa forma de contração é evitada em Iyengar Yoga. Para realizar posturas que exigem força, somos levados a criar trações internas dos músculos e da pele. Como resultado, os músculos passam a ser exigidos em uma base alongada.

Músculos alongados atingem mais cedo o auge da força, ou seja, funcionam melhor. Essa antecipação se torna viável porque alongar promove uma multiplicação dos sarcômeros (unidades contráteis dos músculos). Os músculos são formados por células bem compridas, as fibras, que, por sua vez, possuem minúsculas estruturas alinhadas, os sarcômeros. Quanto mais dessas estruturas, mais cada fibra consegue se esticar e também mais tempo ela consegue ficar fazendo força. Desta maneira, a prática de Yoga aumenta a “endurance”.

Por fim, vale destacar que o princípio da musculação visa isolar cada grupo muscular a ser trabalhado, o que é imprescindível para fins específicos como o tratamento de lesões, por exemplo. Enquanto o yoga trabalha o corpo todo o tempo todo, equilibrando e desenvolvendo todos os músculos, simultaneamente, em cada postura.

Yoga na TPM: Para ela e para ele.

1 ago

Durante o período menstrual, índias de tribos amazônicas permanecem afastadas dos afazeres cotidianos, abrigadas em ocas separadas da tribo e de onde saem apenas para tomar banho de rio. O que pode parecer sexismo ou simples discriminação aos nossos olhos, na realidade destas tribos é respeito à natureza da mulher e entendimento sobre a particularidade do momento para ela e toda a tribo.

Distante do Amazonas e do lado de cá do monitor, alterações hormonais combinadas a fatores psicológicos, genéticos, nutricionais e comportamentais resultam em mais de 150 sintomas que se manifestam de formas tão diferentes quanto depressão, amnésia, dores lombares e insônia. Se carregar essa fartura de sintomas todos os meses não é fácil para as mulheres, também não costuma ser para quem gravita ao seu redor.

Primeiramente, a prática regular de Yoga atenua os sintomas da TPM ao submeter as respostas do sistema nervoso, que passam por uma verdadeira tempestade durante essa época do mês, a auto-análise. Quem está acostumado a observar o próprio corpo durante a prática de Yoga não sentirá dificuldade em guardar distância frente às mudanças decorrentes das alterações hormonais neste período e terá melhores condições de administrá-las durante os momentos de crise. Esse entendimento vale tanto para ela quanto para ele.

Não faz muito tempo ficou provado que a TPM não resulta apenas de alterações hormonais (1998, New England Journal of Medicine), mas a uma resposta incomum a alterações dos níveis hormonais que levam em consideração stress, hipoglicemia, deficiência nos níveis de vitamina B6 e endorphina, dentre outros.

Os fatores físicos não devem ser desprezados e algumas posturas de Yoga que enfocam a região pélvica e abdominal como Supta Badakonasana e Sethu-bandha Sarvangasana, por exemplo, aumentam o fluxo sanguíneo na região uterina e regulam o fluxo menstrual sem por em risco a saúde da mulher.

As torções realizam a compressão mecânica das vértebras e seus discos, eliminando as tensões acumuladas nos forames intervertebrais, promovendo maior irrigação das raízes nervosas, o que é benéfico tanto como suprimento de oxigênio e suprimentos energéticos quanto para eliminar os resultantes tóxicos do funcionamento corporal, como ácidos e gás carbônico. Posturas como Marychiasana estimulam o sistema nervoso são ótimas para se iniciar uma série.

Junto à prática de ásanas, os exercícios respiratórios (pranayamas) são excelentes aliados para atenuar os sintomas da TPM. A respiração consciente dos pranayamas acentuam os estímulos parasintáticos do Sistema Nervoso acalmando e reduzindo o medo e ansiedade.

O maior controle sobre os impulsos e o aprimoramento da capacidade de observação, percepção corporal e auto-análise decorrentes da prática regular de Yoga contribuem não apenas para quem carrega os sintomas da TPM, mas também para quem está ao seu lado e que passa a desfrutar de uma maior consciência de suas reações.