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_Eu não sei respirar.

16 maio

La jaunisse, illus. A. Dahan (Le Livre de Sante, v.6, 1967)

A pele estabelece a primeira fronteira entre nós e o mundo. Da distinção entre o corpo e seu entorno surge aquilo que passaremos a chamar de “eu”.  Assim, os órgãos do sentido farão a ponte que atualiza, redefine e forja as representações que fazemos do meio, fornecendo a matéria-prima para a memória, o raciocínio e o pensamento.

O input sensorial, porém, não se limita apenas aos receptores que se encontram nos órgãos sensoriais. Quimioreceptores monitoram continuamente a concentração de oxigênio no sangue e determinam alterações na freqüência e profundidade da respiração. Proprioceptores encontrados nos fusos musculares, tendões e articulações discriminam a posição e o movimento articular.  Barorreceptores presentes no arco aórtico distinguem a pressão arterial pela distensão vascular.  Os neurônios entéricos mantêm a coordenação das funções digestivas em harmonia com os comandos recebidos do sistema nervoso central.  Mesmos que os dados destes e de muitos outros receptores nunca venham à tona e se tornem conscientes, não há como nos imaginarmos independente deles. Não ter controle sobre processos inconscientes, enfim, não implica em afirmar que estes processos não influem na consciência. Podemos afirmar com tranqüilidade que tato, olfato, audição, paladar e visão representam uma fração das informações que irão alimentar nossas representações, corroborando ou invalidando aquilo que, na maioria das vezes, já percebemos ou sabemos por outras vias.

A idéia de alteridade em relação ao mundo, portanto, não é tão explícita quanto a apresentada pela nossa compleição física.  A pele não é uma trincheira cavada entre o corpo e o mundo, mas um contorno difuso, uma maneira de nos organizarmos nos espaço. Interagimos profundamente, subcutaneamente, com o meio, sofrendo e promovendo mudanças, sentindo dor, bem-estar, tensão, desconforto, etc., e reagindo aos estímulos recebidos.  É, por fim, a integração de informações provenientes de diversos canais que irão costurar os segmentos e órgãos do corpo em um indivíduo unificado.

A precisão das informações sobre o estado interno do organismo é um componente crítico para a preservação da saúde e relaciona-se diretamente com o equilíbrio geral do organismo (homeostase).  Assim como deixamos de enxergar ao apagar das luzes, ruídos nos sinais que vêm de dentro do corpo levam-nos a desenvolver uma experiência alterada em relação a nós mesmos.  Sentir dores sem lesão associada ou potencial, ter medo sem estar sob ameaça ou sentir falta de ar sem comprometimento respiratório apontam para o colapso da experiência subjetiva. Perder os parâmetros sobre os quais aprendemos a nos entender leva à manifestação de sintomas enviesados que, em não raras vezes, geram prognósticos equivocados.

 Building Blocks of Nervous Systems, illus. Paul Slick 

Não há praticamente como interferir de maneira deliberada em processos não-conscientes e refazer o caminho entre instâncias cognitivas e nosso estado interno, mas podemos decupar parte daquilo que fazemos de maneira reflexa no intuito limpar os ruídos que interferem em nossa relação com o próprio corpo e aprimorar nossa consciência corporal em sentido amplo.

Neste contexto, a respiração é um ato privilegiado onde a ação voluntária e a metabólica (involuntária) coexistem. A congruência entre o automático e o somático no sistema respiratório apresenta um ambiente propício para melhorar a interpretação dos impulsos que vêm de dentro do corpo.

Não é possível dissociar respiração e postura. A eficiência da primeira depende do equilíbrio da última.

As práticas de Yoga e Pilates incorporam sistematicamente em seus exercícios o controle sobre a ventilação pulmonar, restringindo, sincronizando e modificando padrões autômatos. Aprendemos, através da interferência nos processos reflexos, a aprimorar os sentidos sobre a condição fisiológica de todo o corpo.

Chamadas de Pranayama, as práticas de controle respiratório têm objetivos específicos mas, em princípio, todas demandam atenção e disciplina. “Pranayama é uma arte e depende de técnicas para fazer com que os órgãos do sistema respiratório movam-se intencionalmente, ritimadamente e intensamente”  (B.K.S. Yengar).

Árvores que Andam

6 fev

Para ser bem executada, uma postura de Yoga exige que nosso corpo esteja profundamente alicerçado em seus apoios. Pés no chão, mãos unidas, cabeça apoiada, ombros amparados e, depois de tudo isso, se ainda sobrar alguma ponta solta, haverá quem encontre um modo de amarrá-la.

Quando um membro ou qualquer segmento do corpo está apoiado sobre uma superfície, sua ação colide com o apoio e volta em direção à origem.  Em seu retorno, a força aplicada aumenta a compressão articular e estimula os sensores (proprioceptores), o que aprimora a sincronicidade da contração muscular e melhora a estabilidade postural.  Quando o movimento das mãos é interditado por uma parede, por exemplo, toda a cadeia muscular dos braços e costas é imediatamente recrutada e passa a se exercitar ao mesmo tempo.

Interiorizada, a força nem sempre é conduzida por canais apropriados e requer nossa intervenção. A manipulação deliberada e consciente das linhas de força que cortam o corpo durante a interceptação do movimento tem o poder de alterar profundamente uma postura, refazendo os caminhos pelos quais passam habitualmente essas linhas.

Ao realizar uma ação interna, manejamos os vetores de força com o propósito de promover o equilíbrio articular, diminuir as forças de cisalhamento sobre os ossos e aprumar as cargas axiais, redefinindo o alinhamento postural.

Assim, durante a execução de uma postura de Yoga, o movimento ganha vida na absoluta imobilidade do corpo.

Para mover livremente os segmentos do corpo no espaço, ao contrário, imobilizamos o tronco e acionamos isoladamente o segmento desejado. Ao levantar um halter, sentados em uma cadeira, acessamos a articulação do cotovelo sem mobilizar significativamente o ombro, as escápulas ou as costas, por exemplo. Este movimento aumenta as forças de distração (separação articular) no cotovelo e recruta o bíceps do braço para manter a articulação unida. Essa estratégia é fundamental quando uma articulação está comprometida e deve ser preservada enquanto outras partes do corpo precisam ser exercitadas.

No cotidiano, porém, as habilidades biomotoras de vários segmentos do corpo são continuamente combinadas para a execução de determinado movimento e dificilmente podem ser esgotadas em termos de extensão, flexão ou rotação de um único membro. A combinação de exercícios que misturam imobilidade e mobilidade segmentar aproxima-se das atividades funcionais cotidianas e ampliam as possibilidades de tratamento e reabilitação.

Nas rotinas de Pilates, essa mistura é levada adiante com o propósito de estabilizar a musculatura profunda do cilindro abdominal e integrar as cadeias musculares envolvidas na preparação para o movimento. O transverso do abdome, o multifidio, o assoalho pélvico, o diafragma e o oblíquo quando trabalham afinados, liberam os músculos motores para trabalhar livre e eficientemente. O intervalo entre a preparação e a ação é crucial para a saúde articular, destacadamente da espinha.

Na rotina diária, durante o treinamento físico ou nas sessões de terapia, não basta evidenciar a conexão entre os segmentos com o todo ou tentar descobrir quais músculos são demasiadamente fracos ou exageradamente tensos, mas considerar a conexão do impacto da estrutura (forma e anatomia), da função (forças e coordenação motora) e mente (consciência). Esta orquestra é regida pelo sistema nervoso e diretamente influenciada pelas emoções.

STC

27 nov

A Síndrome do Túnel Carpal (STC) é um problema comum no ambiente de trabalho e causa de enfermidade recorrente. Tem elevado potencial debilitante e impacto financeiro direto devido a afastamento do trabalho e aumento nos gastos com despesas médicas.

Tradicionalmente, STC vem sendo tratado com agentes antiinflamatórios, imobilização da articulação do punho, fisioterapia e cirurgia. Entretanto, muitas destas opções não têm oferecido alívio satisfatório. Yoga tem sido usado para aliviar alguns dos sintomas músculo-esqueléticos. O estudo aqui em parte resumido demonstrou aumento na amplitude de movimento e redução da dor durante a atividade em pacientes com osteoartrite que realizaram o programa de Yoga.

A prática de Yoga mostrou-se eficiente porque o alongamento na região afetada alivia a compressão no túnel carpal. Ao determinar uma melhor posição articular, os exercícios diminuem a compressão intermitente, aumentando o fluxo sanguíneo que reduz a isquemia do nervo medial. Neste artigo foram apresentados os resultados de uma intervenção usando o Modelo de Controle Aleatório (RTC) com técnicas de Yoga especificamente aplicadas para o tratamento de pacientes com Síndrome do Tunel Carpal.

O estudo foi realizado em 51 pacientes escolhidos a partir de um universo de 400 inscritos foi realizado na Geriatric Center of the University of Pennsylvania – PA. E aprovado pelo conselho da Presbyterian Medical Center, Philadelphia- PA e publicado em 22 de dezembro de 2009.

Os participantes da pesquisa foram divididos em dois grupos. O grupo de controle recebeu o tratamento tradicional, enquanto o grupo de Yoga recebeu uma intervenção baseada em posturas que objetivavam aumentar a flexibilidade e corrigir o alinhamento do membro superior e aumentar a percepção sobre a posição articular das mãos. O estudo usou a abordagem proposta por B.K.S Iyengar, mestre de hatha yoga que enfatiza o alinhamento estrutural do corpo. O método é ordenado e progressivo e as posturas foram adaptadas para atender as condições dos participantes. A partir de posturas de Yoga (ásanas), a postura habitual pode ser melhorada. Quando o alinhamento músculo-esquelético melhora, a habilidade para realizar o ásana também melhora. Os benefícios potenciais deste método incluem aumento da força, coordenação motora e flexibilidade. A seqüência usada neste estudo foi elaborada para atender indivíduos com STC. Os exercícios foram realizados com indivíduos na posição em pé ou sentados com o objetivo de levar as articulações envolvidas a sua maior amplitude de movimento, com alongamento, força e equilíbrio. Toda sessão terminou com uma sessão de relaxamento em que o corpo permaneceu imóvel (savasana). O programa foi ministrado em aulas com duração entre 1 e 1 ½ hora, duas vezes por semana por 8 semanas.

1. Dandasana. Sentado em uma cadeira, com o tronco na vertical, pressione as mãos contra o assento. Pressione as escápulas contra as costas e leve os ombros para trás e para baixo.

2. Namakar. Com as mãos em posição de prece, una e pressione os dedos das mãos, posicionando-os fora do alinhamento ulnar. Relaxe as mãos e repita o procedimento abrindo os dedos das mãos em leque. Repita pressionando os metacarpos de cada dedo e afastando os dedos das mãos em hiper-extensão.

3. Urdhva hastasana. Leve os braços para frente e para cima, com as mãos verticais e os cotovelos estendidos. Alongue as laterais do corpo.

4. Parvatasana. Braços extendidos sobre a cabeça, como os dedos entrelaçados com o polegar direito sobre o esquerdo. Vire as palmas das mãos para fora. Estique os cotovelos. Erga o tronco a partir dos braços e leve os braços para trás. Repita com o polegar esquerdo sobre o direito.
Jathara Parivartanasana

5. Garudasana. Braços entrelaçados em frente do tronco. Dobre seus cotovelos cruzando os braços em frente do peito, flexione os antebraços. Cruze o cotovelo esquerdo sobre o direito e afaste a mão esquerda, cruzando o antebraço esquerdo atrás do direito. Uma as palmas das mãos. Eleve os cotovelos e desça o ombros. Repita para o outro lado.
Garudasana

6. Baradvajasana na cadeira. Sente-se de lado na cadeira, com a coxa direita contra o encosto. Alongue o tronco para cima e os ombros para trás. Mantenha os joelhos unidos. Sem mover a bacia, vire-se para o encosto. Repita para o outro lado.
bharadvajasana

7. Tadasana. Em pé, com os maléolos internos unidos e o peso igualmente distribuído sobre os calcanhares internos e externos, erga as patelas. Suba o alto do peito e as clavículas.
Tadasana

8. Ardha Uttanasana. Em pé, com os calcanhares afastados, estenda os braços sobre a cabeça. Flexione o tronco em 90 graus, na altura do quadril e alongue todo o corpo em direção à parede tocando as mãos com a parede.
Ardha uttanasana

9. Virabhadrasana I (somente os braços). Em pé, estenda os braços com as palmas das mãos unidas. Gire os braços, fechando as axilas, mantendo os dedos das mãos unidos. Afaste as mãos, deixando os braços paralelos. Alongue as laterais do tronco e volte a unir as palmas das mãos. Trave os cotovelos.
Virabhadrasana I hands only

10. Salabhasana (variação). Ênfase na posição das mãos. Deitado em decúbito ventral, leve as palmas das mãos sobre o acento da cadeira. Estenda os braços e erga o peito, o quadril e os joelhos. Desça os ombros. Leve o cóccix para frente, mantendo os glúteos firmes. Alongue a parte anterior do tronco para cima, a partir do osso púbico. Erga o esterno e as costelas e pressione as escápulas para frente (veja comentário).
Salabhasana Variation

11. Paschima namaskar. Em pé, una as mãos atrás das costas com os dedos apontando para baixo. Vire os dedos das mãos para cima e suba as mãos entre as escápulas o mais alto possível, sem separar as mãos. Pressione o quinto dedo e a borda externa das mãos contra as costas e abra o peito. Ombros para trás e para baixo.
paschima namaskar

12. Relaxamento. Deite-se com as costas no chão e com os braços ligeiramente afastados do corpo. Palmas das mãos para cima. Calcanhares unidos e artelhos afastados. Feche os olhos, respire profundamente e concentre-se na expiração. Relaxe o maxilar inferior, a língua e os olhos. Fique nesta postura entre 10 a 15 minutos.

Os pacientes no grupo de Yoga tiveram significante acréscimo na força das mãos e redução na dor. Neste estudo, um programa sem o uso de remédios, equipamentos ou cirurgia, reduziu a dor e aumentou a força nas mãos dos pacientes. Ainda que não tenha sido estudado aqui, um programa supervisionado não é útil apenas para tratar os sintomas, mas também prevenir que os sintomas voltem a ocorrer. Muitos dos pacientes estudados relataram que apresentaram melhoras mesmo depois do fim do tratamento, durante as 4 semanas que se seguiram após o tratamento.

Confira estudo completo aqui.

A Deriva.

17 nov

Da cabeça até a bacia, toda a extensão das costas está coberta pela coluna vertebral, que assenta o peso do corpo, vértebra após vértebra, com carga crescente até articulação sacro-ilíaca. Não há conexão semelhante na parte anterior do corpo, onde músculos e tecidos conjuntivos suspendem segmentos intermitentes, do occipital ao ossos púbico. Se estruturas rígidas como as vértebras suportam as forças compressivas nas costas, são composições flexíveis como as dos músculos escaleno, intercostais e abdominais que suspendem os segmentos na frente do tronco, equilibrando o corpo.

Como cordames atados a um mastro de vela, os músculos do pescoço equilibram o crânio sobre a cervical. A grande mobilidade da cabeça no espaço não é dada pela articulação do crânio com o pescoço (a. occípito-atloidiana), mas pela coluna cervical e, indiretamente, pelo corpo como um todo.

A posição da cabeça em relação ao corpo resulta das curvas fisiológicas, das deformidades e forças que agem na coluna. Ao mesmo tempo, os músculos que começam na base do crânio e pescoço desempenham papel fundamental na determinação da postura global ao suspenderem a parte anterior do corpo, das primeiras costelas até a pelve. Assim, a posição da cabeça é, ao mesmo tempo, causa e efeito de nossa postura.

‘Sanduichados’ entre músculos retesados e ligamentos poderosos, as artérias que nutrem o cérebro (carótidas), as vias de drenagem venosa (jugulares) e o sistema nervoso guardam relação muito estreita com os elementos móveis da coluna cervical.

Preservar o espaço destinado a estes elementos livre de obstrução dentro do pescoço requer intervenção deliberada na postura, uma vez que a rigidez torácica e dos membros superiores aumenta as exigências sobre a cervical e acaba sacrificando estes espaços.

Dobrar o pescoço para trás (hiperextensão) sem envolver o tórax, sobrecarrega a musculatura anterior da cervical, colapsa as espinhas vertebrais e diminui o diâmetro do pescoço, como evidenciam as pregas na pele da nuca. Tontura, náusea e dispnéia ao olhar para cima são sinais claros de que algo não vai bem e requer mudança. O praticante com rigidez torácica deve priorizar a mobilidade na região peitoral antes de trabalhar a flexibilidade na região do pescoço.

Ao elevar o primeiro par de costelas e descer os ombros, aumentamos a profundidade da cintura escapular, harmonizando a curva cervical. Graças aos músculos intercostais, todo o conjunto das costelas sobe, facilitando a respiração.

Não se trata simplesmente de favorecer um peito projetado à frente, tipo militar, mas um peito aberto, que conceda amplo espaço às artérias que irrigam o cérebro e mantenha livre de qualquer obstrução o sistema nervoso dentro do canal raquidiano.

O yogue B.K.S. Iyengar chama a região entre os primeiros pares de costelas e a clavícula de ‘olhos do peito’. Quando a musculatura peitoral está enrijecida, os ombros vêem à frente, o osso esterno desce e os ‘olhos se fecham’. Toda a musculatura posterior do corpo entra em tensão permanente, da base da nuca aos calcanhares.

Tanto no método proposto por B.K.S. Iyengar quanto na prática de Ashtanga Vinyasana Yoga, os ajustes posturais são amplamente empregados para criar condições seguras e necessárias para a evolução dos exercícios.

Posturas de Yoga cujo apoio recai sobre a cabeça ou ombros evidenciam de maneira quase caricatural muitos dos desequilíbrios posturais do praticante, porém as correções e ajustes aqui são difíceis e delicados. De execução aparentemente fácil, posturas como Sirsasana ou Sarvangasana escondem significativo risco de contusão. Se o pescoço é como um mastro de vela, imagine virar o barco de quilha para cima e equilibrá-lo sobre o mastro: a relação de forças se inverte. O corpo das vértebras cervicais é cerca de 50% menor que as lombares e não foi projetado para receber o peso do corpo todo. Assim, mais do que equilíbrio e força, o praticante precisa ter plena consciência de seu corpo para obter um alinhamento preciso na postura.

‘Sem saber onde estamos, não sabemos como chegar’. A consciência corporal deve ser adquirida antes em posturas em pé, sobre as quais temos mais controle do corpo, e evoluir gradualmente. Blocos, cadeiras e cintos podem ser encontrados pelo caminho.

Os desequilíbrios e assimetrias ficam evidentes à medida que aumentamos as exigências sobre a estrutura do corpo, e devem ser observados e corrigidos a tempo de evitar lesões. Ter consciência do alinhamento preciso da cervical e da cabeça, do equilíbrio lateral e ântero-posterior do corpo, da posição dos ombros são pré-requisitos para realizar a postura Sirsasana com segurança, por exemplo.

Para afinar nossa percepção sobre o próprio corpo é preciso coragem para encarar nossas dificuldades de frente e trabalhar com disciplina e desapego na realização de mudanças estruturais. É preciso coragem para se olhar no espelho e buscar não aquilo que queremos ver, mas aquilo que se esconde atrás do olhar.

Asas para Voar

18 out

Todo o grande conjunto formado pelos braços, ombros e escápulas prende-se ao corpo através de uma estreita rota em forma de “s” chamada clavícula, que desembarca no alto do peito por uma pequena articulação, a esterno-clavicular. Podemos facilmente imaginar a imensa liberdade de movimento que esse desenho propõe.

Cintura escapular vista de cima

A conexão dos membros superiores ao corpo não está baseada na robustez de suas articulações ou na precisão dos encaixes, mas na força dos músculos que grudam os braços ao tronco. Nos vertebrados, o encaixe das patas anteriores é de uma timidez notável se comparado à vigorosa articulação do quadril que conecta as patas traseiras à bacia. A estabilidade dos membros superiores não depende, assim, da estrutura articular, mas da força dos músculos que, dispostos em camadas, cresce em complexidade dentre os vertebrados até que alguns de nós possam alçar vôo.

Além da grande mobilidade oferecida por este modelo, ele se presta a proteger os sistemas vitais envolvidos pela caixa torácica, distribuindo o impacto sofrido pelos braços por 10 pares de costelas dispostas em cone, de cima para baixo, como um grande amortecedor de mola.

Em movimento ou parado, sob tensão ou relaxado, a posição do sistema formado pelos braços, ombros e escápulas depende do equilíbrio dos músculos que atuam sobre ele. A resultante das forças não apenas determina a posição dos braços em relação ao tronco, mas adapta continuamente a posição do tórax e, consequentemente do corpo todo, às solicitações dos membros superiores, colaborando para definir nossa postura patente.

Quando os ombros vêem à frente, o peito se “fecha”, a curva lombar aumenta e o tórax é recuado para atrasar o centro de gravidade e diminuir o desequilíbrio. Para manter a horizontalidade do olhar, o pescoço se dobra e o queixo avança.

Quando os músculos das costas são mais curtos que os do peito, os ombros são puxados para trás. O desequilíbrio posterior leva o abdome para trás e o esterno é empurrado para frente, projetando as costelas.

Tais desequilíbrios podem ser congênitos ou funcionais e ter origem em fatores extrínsecos ao tronco. Independente da origem, a correção postural contribui muito para eliminar estas deformidades.

Uma das muitas sacadas do yogi B.K.S Iyengar foi encarar o osso esterno como um painel de controle apto a desencadear mudanças posturais em todo o corpo. O conjunto formado pelas escápulas, braços e clavículas tem no osso esterno sua âncora no esqueleto, “levante o esterno” passa a ser a senha para iniciar a reorganização do tórax no espaço e preparar o corpo para posturas mais equilibradas e saudáveis.

Na postura Dandasana o osso esterno sobe ao mesmo tempo em que empurramos as mãos para baixo como se quiséssemos nos levantar do chão. Os músculos que se prendem às escápulas irão puxar as costelas para cima e alongar a coluna. Dandasana é a base para a maioria das posturas sentadas e o alongamento da coluna cria as condições para que flexões e rotações sejam praticadas de maneira equilibrada e segura.

Dandasana

Ao alinhar as costas é preciso muita atenção para não trazer a lombar à frente, situação evidenciada pela projeção anterior das costelas inferiores (8º a 10º par destacadamente). Esse blefe é muito comum para esconder restrições na mobilidade da pelve e tronco.

Uma postura de Yoga (ásana) é um momento privilegiado de observação e análise. Além de salientar eventuais desequilíbrios do corpo, o ásana expõe as soluções encontradas por nós para sobrepujar e, frequentemente, escamotear as dificuldades enfrentadas na prática de Yoga. Como um fotograma, o ásana aponta o ardil que os olhos não vêem e os sentidos não captam, mostrando os riscos assumidos pelo praticante para atingir determinados objetivos. Habituados que estamos a resultados imediatos, encarar as dificuldades de frente e reorganizar nossa postura consome mais tempo e disciplina do que estamos acostumados a investir.

Em não raras vezes, escolhemos a saída mais conveniente e, no exato momento em que os fins passam a justificar os meios, perdemos toda a riqueza de informações sobre nós mesmos oferecida pelo caminho do auto-conhecimento, pela prática sincera e pelo exercício consciente. Quando optamos pela ilusão do atalho, ironicamente, nos esforçando muito e não saímos do lugar.

Vegetarianos São Mais Inteligentes.

29 ago

Uma pesquisa que examina a relação do QI com a dieta a qual uma pessoa é submetida entre os 10 e 30 anos de idade mostra que vegetarianos são, em média, 5 pontos mais inteligentes que onívoros (comem carne).

8.170 homens e mulheres foram avaliados pelos pesquisadores da Universidade de Southaptom, no Reino Unido e, ainda que os resultados sejam inequívocos, a razão da grande influência da dieta vegetariana no desenvolvimento da inteligência não foi explicada e continua sendo estudada.

Veja artigo na British Medical Journal

Sobre Peixes e Homens.

28 fev

Sem um chão firme, atolamos. Afundamos até que o solo abaixo de nossos pés se compacte o bastante para impedir nossa viagem Terra adentro. Concentramos todo nosso peso na pequena área compreendida entre os calcanhares e os dedos dos pés. A partir desta parca base de apoio criamos um alicerce para erigir nosso corpo do chão com todos os seus segmentos e apetrechos. Assim descolamos da superfície em direção ao espaço.

Quando saltamos da água para a terra firme, há pouco mais de 380 milhões de anos atrás, o esqueleto, antes sustentado gentilmente pela água em toda sua extensão, passou a custear nossa empreitada contra a gravidade. Um grande número de músculos se desenvolveu para bancar essa excursão em direção à terra firme e conferir uma estrutura adequada para que os ossos pudessem dar conta do recado e continuar a exercer suas funções.

Nos mares e rios, enquanto desloca uma quantidade de água equivalente a sua densidade, um peixe não afunda nem bóia. Sobe à superfície ou mergulha coordenando seu deslocamento no eixo vertical através de um sistema intrincado de controle biofísico, gerenciado por um cérebro complexo e receptores de pressão extremamente sensíveis. Sair da água e desgarrar-se do chão não foi fácil e tivemos que rastejar muito no barro antes de começar a engatinhar em terra firme.

Não se tratava apenas de respirar ar ao invés de água. Deixar mares e rios para trás representou sobreviver à ausência da sustentação oferecida pela água, passar a suportar a força descendente da gravidade e adaptar-se à resistência ascendente do chão ao peso. Finas e delicadas barbatanas adensaram-se na forma de patas musculosas.

De quatro no chão, os músculos se entrecruzaram em toda a extensão do torso em várias camadas, sustentando e ligando a coluna vertebral entre a bacia e os ombros. Como uma ponte pênsil, o tronco foi erguido do chão entre as patas da frente e de trás, suspenso pelas linhas de força que interligam toda sua estrutura anatômica de forma global. Qualquer movimento, do mais amplo deslocamento ao gesto mais delicado, mobiliza todo o corpo de modo a equilibrar suas incursões no espaço. Pata anterior direita para frente, posterior esquerda para trás; enquanto a bacia apoia os ombros, os ombros equilibram a bacia e assim o corpo campeou sobre os mais diversos tipos de terreno, vegetação e clima.

Levou ainda algum tempo antes de conseguirmos tirar as patas anteriores do chão para derrubar nosso almoço das árvores ou esticar o braço pela janela do carro para pegar um lanche no drive thru. Aos trancos e barrancos, adquirimos a forma mais adequada para desempenhar as funções necessárias à nossa sobrevivência, sem abandonar completamente algumas características em desuso, carregando em nosso corpo toda a história que nos trouxe até aqui. E a história continua…

“Apesar de nossa evolução como bípedes, continuamos sendo quadrúpedes em toda nossa estrutura, como demonstram nossos gestos. (…) Sofremos as seqüelas dessa evolução ainda incompleta” (Marcel Bienfait).

Responder com liberdade às exigências do meio é um estatuto do corpo e uma premissa adaptativa sem a qual adoecemos. Contar com as condições para que as solicitações do meio possam ser solucionadas pelo corpo, promovendo as mudanças necessárias de modo eficaz, sem limitações e isento de dificuldades extraordinárias, é sinônimo de uma vida longa e sem sofrimento.

“Quando o homem levantou seu corpo do chão, assumindo a postura ereta, as desvantagens de se apoiar sobre uma base pequena foram enfrentadas por vários dispositivos e através de mudanças estruturais. Estas mudanças se mostraram insuficientes para resolver todos os problemas. Como consequência, o funcionamento do esqueleto como um mecanismo de proteção é frequentemente colocado em risco por ajustes mecânicos inadequados. A inteligência humana deve ser aplicada a este problema” (Mabel E. Todd).

Desequilíbrio Estático

3 jan

A perna direita impulsiona você à frente enquanto a esquerda descansa uma fração de segundo no ar antes de voltar à carga. Caminhando, deslocamo-nos no espaço. Ao observar as pegadas deixadas para trás, decompomos o movimento em uma série de períodos cuja unidade de tempo é dada em passos. Fica evidente o rastro de explosões de força que coordenamos para dar orientação e sentido a um movimento chamado “andar”.

Somos virtualmente incapazes de realizar um trabalho constante por um longo período de tempo, sem intermitência ou intervalo, pois a energia mobilizada por nós se esvai rapidamente e a bateria precisa ser recarregada. Assim pulsamos em ritmos variados, em ciclos de fatiga e descanso, carga e descarga, ação e inação, durante uma atividade física, durante o dia, o ano, durante uma vida.

Os grandes músculos superficiais estão aptos a mobilizar prontamente grande quantidade de força, mediante a cobrança de uma conta alta de energia, e precisam ser ciclicamente desligados para que possam se recuperar do esforço. Assim não conseguimos mantê-los em uso contínuo por muito tempo. Rentes à pele e facilmente observados, estes músculos inserem-se perto das articulações e são responsáveis pela considerável amplitude de movimento que dispomos, porém não oferecem grande precisão de movimento. É como tentar escrever com um lápis atado a uma vara de pesca: quanto mais distante do lápis estamos, menos preciso é nosso traço e maior é a linha que conseguimos traçar com ele.

Para nos mantermos em determinada posição por muito tempo, fazemos uso da musculatura profunda do corpo. Capaz de nos manter estáveis por longos períodos de tempo, estes músculos estabilizam nossas articulações e fazem a sintonia fina em nossa postura para que possamos nos movimentar com liberdade e segurança. Com fibras curtas e potentes, os músculos profundos não primam pela amplitude de movimento, mas pelo ajuste preciso das ações. Quando estamos sentados, por exemplo, a musculatura profunda da coluna empilha com precisão cada uma de nossas vértebras para equilibrá-las de forma eficiente e nos manter estáveis por muito mais tempo.

Quando a musculatura profunda do corpo está atrofiada, manda a fatura para os grandes grupos musculares que, incapazes de responder com a precisão e permanência adequadas a este tipo de estímulo, sobrecarregam as articulações e abrem as portas para um sem número de patologias articulares que irão afetar principalmente a coluna, os joelhos e os ombros.

Durante a realização de posturas de Yoga ou determinadas séries de Pilates, paramos no tempo e adentramos em nosso corpo para trabalhar sua musculatura profunda. A permanência em um ásana de Yoga como Padangustha Dandasana (foto abaixo), por exemplo, além do trabalho óbvio nos grandes grupos musculares posteriores da coxa, leva-nos a uma viagem em direção aos movimentos de extensão e flexão da coluna que raramente encontramos em outra atividade física. Conectar nossa consciência a estas regiões terá reflexos imediatos em nossa postura global.

 null Padangustha Dandasana alonga os músculos interespinhais , transverso
espinhal e subocciptais promovendo o alongamento longitudinal da coluna
antes da flexão
.

Adquirimos com o tempo de prática uma inteligência neuromotor que se expandirá a outras atividades em nosso cotidiano.

Estamos em constante movimento e pulsamos como pulsa nosso coração, nossa respiração e tudo aquilo que entendemos por movimento resume-se em essência a instantâneos conectados em linha que oferecem a idéia de tempo e movimento. A prática de atividades como Yoga e Pilates têm o poder de nos mostrar em detalhes cada um destes fragmentos de movimento e reconduzir cada estímulo ao seu devido lugar.

“Tempo é o desenrolar do meu corpo no espaço”. Ivaldo Bertazzo

Uma Pedra no Caminho.

26 out

Mais de 200 articulações evoluíram no mínimo 100mil anos e adaptaram-se das savanas africanas às montanhas do Himalaia, do calor do equador ao gelo dos pólos e colonizaram o mundo, tudo isso para terminarmos presos a uma baia de escritório, movimentando-nos do trabalho para a garagem, da garagem para casa, de casa para a garagem e de volta para o trabalho. Ainda vivos, submetemos com naturalidade nosso corpo à rotina de um moribundo terminal. Obviamente adoecemos.

A dor eclode em nossas vidas como um incômodo obstáculo interposto em nossa história que deve ser rapidamente suplantado a fim de podermos continuar fazendo o que queremos da maneira que escolhemos.

A dor, como a pedra de Drummond, nos obriga a parar e observar – duas coisas que estamos desabituados a fazer. “No meio do caminho tinha uma pedra”. Mais fácil é chutar a bendita e continuar andando, afinal, se há algo que conseguimos fazer com maestria é chutar. Resolvemos com demora e dificuldade nossos problemas, mas procrastinamos com a habilidade de um craque.

Não vemos a dor como resultado de um processo; mais acostumados estamos a entendê-la como um acidente de percurso. Tentamos retardá-la, sublimá-la, desqualificá-la e subjugá-la de todas as maneiras que encontramos. Topamos qualquer parada: de remédios a terapias miraculosas. Pagamos alto e exigimos resultados imediatos. Não nos importamos em submeter nosso corpo às penas previstas nas contra-indicações das bulas, desde que não precisemos mudar uma linha em nosso diário.

Atados à baia, ficamos doentes, doentes ficamos improdutivos e improdutivos tornamo-nos desqualificados para o trabalho. Sinuca de bico. Melhor é empurrar tudo para baixo do tapete. E quando não houver mais tapete, já no consultório médico, somos solicitados a parar as já estagnadas articulações: Pare o que você está fazendo e usufrua do fantástico mundo dos analgésicos, anti-inflamatórios e miorrelaxantes. Saída mais rápida, simples e conveniente não há. Difícil é encarar as coisas de frente e sair da zona de conforto.

Culturas que guardam bons hábitos posturais geralmente envolvem grande variedade e diversidade de movimentos em seu cotidiano: Sentam-se no chão, correm, carregam peso de variadas formas e andam muito. As mulheres Xhosa de Transkei (leste da África do Sul), por exemplo, saem de casa bem cedo e vão para o trabalho dançando pelos campos.

Se a dor é um sinal, o resultado de um processo como dissemos, não deve ser entendida como causa de sofrimento, mas forte aliada pela busca de uma solução, ainda que esta solução nos pareça tão impraticável quanto dançar pelas ruas nas manhãs de segunda-feira.

Conquistar a capacidade de observar a dor, sem se deixar governar por ela, é encontrar a suma liberdade. Freqüentemente trocamos os grilhões da dor pela dos remédios, das ideologias, das terapias e até, de forma enviesada, dos exercícios físicos. Frente à dor é preciso serenidade não ansiedade. É preciso observação e não identificação.

Onde esconderam os pesos?

17 ago

Quando você ouve a palavra “musculação” logo vem à mente a imagem de numerosas repetições de contração muscular usando anilhas de peso, sistemas de polias, roldanas e a consequente dor muscular. Mas se você já sentiu dor nos braços, pernas ou abdomem após uma boa aula de Yoga pode ter se questionado onde estavam escondidos os pesos .

Especialistas recomendam que alguma forma de musculação deva ser feita ao menos duas vezes por semana para manter um metabolismo eficiente. O trabalho com sobrepeso é também amplamente indicado por médicos para conter a perda de tecido ósseo e prevenir um sem-número de doenças degenerativas.

Para muitos de nós, essa conjuntura projeta uma visão de eterna escravidão às máquinas de musculação, barras de alteres e esteiras ao som de Kylie Minogue. Será que a prática de Yoga não pode substituir o trabalho com pesos e nos livrar de uma perspectiva tão sinistra quanto “Baby I can´t get you out of my head”?

O yogue norte-americano Rodney Yee costuma dizer que levanta pesos com frequência, “eu sempre levanto o meu corpo”. Quando você realiza posturas de Yoga, explica Yee, você está colocando seu corpo em determinadas posições onde sua força deve ser mobilizada para sustentar o seu peso.

Como muitos yoguis, Yee não gosta de encarar o Yoga como uma forma de esculpir o corpo. Os praticantes devem entender o Yoga como uma forma de pensar e agir com disciplina, comprometimento e foco, o que difere basicamente das preocupações com a aparência e estética.

Ainda assim, quando você pratica Yoga, pode se questionar de onde vai sair tanta força para manter-se em determinadas posturas por tanto tempo e até pensar no trabalho com pesos como uma forma de auxiliar na realização de determinadas posturas.

O Conselho Americano para o Exercício Físico define musculação como “exercícios com resistência progressiva com o propósito de fortalecer o sistema músculo-esquelético”, ou seja, uma vez que seu músculo se adapta a uma determinada carga, você deve aumentar a carga para continuar usufruindo dos mesmos resultados. Teoricamente você pode continuar a aumentar a força e o tamanho de seus músculos para sempre, desde que você continue a aumentar o peso.

No espectro oposto, a prática de Yoga ampara-se na contração excêntrica dos músculos. A resistência é oferecida pelo alongamento dos músculos, assim a resistência aumenta à medida que o músculo alonga. Dentro do método de hatha Yoga proposto por B.K.S. Iyengar, somos solicitados a coordenar os movimentos dos músculos agonistas e antagonistas dentro do princípio da “intrinsecacidade”, ou seja, em algumas posturas somos levados a contrair músculos que estão sendo alongados (facilitação proprioceptiva neuromuscular) e em outras devemos deliberadamente relaxar os músculos que não estão participando da ação (inibição recíproca).

Já a contração isotônica proporcionada pelas séries de musculação, tornam o músculo mais curto e mais inchado à medida que se contrai. Com o tempo, a ausência de um trabalho equivalente de alongamento deixa o músculo sem definição – com aparência de “bombado” – e, principalmente, sem amplitude suficiente para mobilizar quantidade satisfatória de força. Essa forma de contração é evitada em Iyengar Yoga. Para realizar posturas que exigem força, somos levados a criar trações internas dos músculos e da pele. Como resultado, os músculos passam a ser exigidos em uma base alongada.

Músculos alongados atingem mais cedo o auge da força, ou seja, funcionam melhor. Essa antecipação se torna viável porque alongar promove uma multiplicação dos sarcômeros (unidades contráteis dos músculos). Os músculos são formados por células bem compridas, as fibras, que, por sua vez, possuem minúsculas estruturas alinhadas, os sarcômeros. Quanto mais dessas estruturas, mais cada fibra consegue se esticar e também mais tempo ela consegue ficar fazendo força. Desta maneira, a prática de Yoga aumenta a “endurance”.

Por fim, vale destacar que o princípio da musculação visa isolar cada grupo muscular a ser trabalhado, o que é imprescindível para fins específicos como o tratamento de lesões, por exemplo. Enquanto o yoga trabalha o corpo todo o tempo todo, equilibrando e desenvolvendo todos os músculos, simultaneamente, em cada postura.