Aulas On Line: do detalhe ao todo.

2 dez
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FISIOYOGA: LOMBALGIA CRÔNICA

21 nov

FisioYoga

Muitos estudos têm demonstrado o impacto da prática de Yoga no tratamento de Dor Lombar Crônica, tanto do ponto-de-vista estruturalista, como a partir do manejo da dor. Porém, a grande variedade de métodos e abordagens de Yoga impede que se estabeleça uma correlação clara entre a conduta a ser seguida e os resultados esperados.

Neste workshop teórico-prático vamos construir uma ponte entre a contribuição da prática de Yoga e as pesquisas mais recentes sobre Dor Crônica Lombar.

O objetivo deste workshop é revisar artigos científicos com alto nível de evidência científica publicados em revistas de impacto acadêmico, realizando uma descrição criteriosa das práticas adotadas de modo a estabelecer uma base e um ‘reasoning’ para a aplicação terapêutica do Yoga.

Curso orientado a profissionais da área da saúde, educadores físicos e instrutores de Yoga interessados em aumentar seu repertório terapêutico e aprofundar seu conhecimento sobre a prática de Yoga.

Conteúdo

O workshop será baseado na análise da seguinte literatura:

  • Effect of Mindfulness-Based Stress Reduction vs Cognitive Behavioral Therapy or Usual Care on Back Pain and Functional Limitations in Adults With Chronic Low Back Pain. A Randomized Clinical Trial

Daniel C. Cherkin, PhD1,2,3; Karen J. Sherman, PhD1,4; Benjamin H. Balderson, PhD1; et al Andrea J. Cook, PhD1,5; Melissa L. Anderson, MS1; Rene J. Hawkes, BS1; Kelly E. Hansen, BS1; Judith A. Turner, PhD6,7 JAMA. 2016;315(12):1240-1249. doi:10.1001/jama.2016.2323

  • Iyengar Yoga for Distressed Women: A 3-Armed Randomized Controlled Trial

Andreas Michalsen, 1 , 2 ,* Michael Jeitler, 1 , 2 Stefan Brunnhuber, 3 Rainer Lüdtke, 4 Arndt Büssing, 5 Frauke Musial, 6 Gustav Dobos, 7 and Christian Kessler 1 , 2

  • Yoga, Physical Therapy, or Education for Chronic Low Back Pain: A Randomized Noninferiority Trial

Robert B. Saper, MD, MPH; Chelsey Lemaster, MS, MPH; Anthony Delitto, PhD, PT; Karen J. Sherman, PhD, MPH; Patricia M. Herman, ND, PhD; Ekaterina Sadikova, MPH; Joel Stevans, PhD, DC; Julia E. Keosaian, MPH; Christian J. Cerrada, BS; Alexandra L. Femia, MS; Eric J. Roseen, DC; Paula Gardiner, MD, MPH; Katherine Gergen Barnett, MD; Carol Faulkner, BS; Janice Weinberg, ScD

  • Comparing Yoga, Exercise, and a Self-Care Book for Chronic Low Back Pain: A Randomized, Controlled Trial FREE

Karen J. Sherman, PhD, MPH; Daniel C. Cherkin, PhD; Janet Erro, RN, MN, PNP; Diana L. Miglioretti, PhD; Richard A. Deyo, MD, MPH

  • A Randomized Controlled Trial to Assess Pain and Magnetic Resonance Imaging-Based (MRI-Based) Structural Spine Changes in Low Back Pain Patients After Yoga Practice

Shirley Telles,1,A,D,E,F Abhishek K. Bhardwaj,1,B,C,E,F Ram K. Gupta,1,B,C Sachin K. Sharma,1,B,C Robin Monro,2,A,B,F and Acharya Balkrishna1,A,G

  • Effect of yoga on quality of life of CLBP patients: A randomized control study

Padmini Tekur, Singphow Chametcha, Ramarao Nagendra Hongasandra, and Nagarathna Raghuram

  • Yoga for chronic low back pain: a randomized trial.

Tilbrook HE1, Cox H, Hewitt CE, Kang’ombe AR, Chuang LH, Jayakody S, Aplin JD, Semlyen A, Trewhela A, Watt I, Torgerson DJ.

Programação

01/12, sábado, das 14h00 às 15h30

02/12, domingo, das 8h00 _às 9h30

08/12, sábado, das 14h00 às 15h30

09/12, domingo, das 8h00 às 9h30

Maiores detalhes aqui

Amarelinha Digital

4 nov

pawel kuczynski 1

Ilustração Pawel Kuczynski

O uso extensivo de tecnologia digital reserva pouco tempo para a interação do corpo com o ambiente. Neste mundo, o celular surge como um apêndice do corpo, capaz de nos transportar pelo tempo e espaço com relativa facilidade. Em uma sociedade baseada na troca de informações, o uso destas tecnologias é inseparável de nosso dia-a-dia. Se, por um lado, os dispositivos móveis tornaram-se extensões do corpo, em que medida nosso corpo não estaria se tornado extensão destas mesmas tecnologias digitais e o suporte para sua materialidade?

No fogo-cruzado entre novas tecnologias ‘versus’ saúde encontram-se os usuários cujo o corpo ainda está em formação e correm o risco de sofrer por mais tempo eventuais disfunções decorrentes do uso dos dispositivos móveis: as crianças.

A crescente preocupação com o tempo dedicado a celulares, tabletes e games criou uma nova unidade de medida: o Tempo de Tela Digital, ou TTD. Fácil de medir, o TTD representa o tempo gasto por um indivíduo, durante um dia, em frente a uma tela digital. Porém, a velocidade com que as transformações acontecem nos meios digitais nos impede de observar em perspectiva os possíveis impactos do TTD na saúde da população em geral e, assim, avaliar até que ponto nosso corpo está disposto a tolerar seu uso.

Está claro que o TTD está relacionado ao aumento da obesidade infantil, à diminuição de horas de sono e redução no nível de interação social por crianças e adolescentes. Ao mesmo tempo, tornou-se virtualmente impossível limitar o uso de celulares e tablets, uma vez que os mesmos dispositivos dedicados a entretenimento servem também de suporte para conteúdos educacionais e comunicação.

pawel kuczynski 2

Pawel Kuczynski

Interesses conflitantes acabam por gerar recomendações conflitantes. De um lado, o uso expandido da tecnologia digital é indicado para aprimorar o aprendizado e desenvolver um conjunto de habilidades digitais nas crianças com vistas a facilitar sua inclusão social. Por outro, as agências de saúde pública defendem o uso mínimo de tecnologia digital pelas crianças devido a preocupações com sua saúde física e mental.

Ao lado dos riscos à saúde causados pelo sedentarismo, surgem também as preocupações com o desenvolvimento cognitivo e emocional, o que inclui a diminuição da atenção durante as interações verbais, a dificuldade para solucionar problemas com base no contexto e no ambiente, o isolamento social e o cyberbullying. Entretanto, serão as questões posturais que irão acometer irrestritamente os usuários, pois independem de filtros parentais ou da estrutura emocional única de cada criança.

Posturas pobres, mal sustentadas e movimentos repetitivos, com prejuízo das atividades motoras grossas, são parte integrante dos dispositivos digitais. Dores no pescoço, nas mãos e nas costas em idade cada vez mais precoce costumam acender os primeiros sinais de alerta sobre o exagero no uso destas tecnologias.

Ivan Cruz

Ivan Cruz

Além da redução no tempo de exposição (máximo de 2 horas por dia para crianças de 7 a 12 anos de acordo com a Academia Americana de Pediatria), a realização de atividades físicas que explorem a variabilidade e liberdade do movimento, valorizem o aprendizado motor e a adaptabilidade ao ambiente são as mais indicadas para fazer frente ao imobilismo.

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Maria Jane Eyre Melo

Ironicamente, os mesmos dispositivos que reúnem tantas funções ao alcance de nossas mãos também podem orientar as crianças a realizar exercícios físicos regulares, estabelecer metas e mensurar seu rendimento. Mas é preciso estar claro que a maior beneficiária deste modo de vida é a criança, que ao apropriar-se do próprio corpo deixa de servir de suporte material para os meios de tecnologia digital no presente e meios de produção no futuro.

Dor é Coisa da Sua Cabeça.

28 set

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“Breakfast, Lunch, Dinner” por  Jen Watson

Para onde você vai quando está com dor? Vai à farmácia ou no parque exercitar-se? A grande maioria das pessoas imagina que dor e movimento não combinam. No entanto, durante a prática de exercícios, o corpo é capaz de produzir analgésicos poderosos, sem efeitos colaterais e mais eficientes que os medicamentos disponíveis nas prateleiras da farmácia.

Endorfinas, encefalinas, endomorfinas e dinorfinas são analgésicos endógenos (feitos pelo próprio corpo), que se ligam a receptores opioides em vários órgãos e no cérebro, modulando a intensidade da dor.

Dor é a maneira que nosso corpo tem para dizer que estamos sob ameaça. Acontece que essa ameaça pode ser proveniente de muitos lugares e não apenas da região em risco. Assim, dor é multifatorial e inclui variáveis emocionais, ambientais, além de físicas. Esta idéia  é diferente do conceito tradicional de dor nociceptiva, aquela que começa em um lugar específico, estimula receptores de dor (nociceptores), viaja pelo sistema nervoso periférico e chega ao cérebro para ser interpretada. Dor, definitivamente, não é apenas nocicepção mas resultado de uma interação bio-psico-social e emerge de vários domínios.

A modulação da dor pelos opióides endógenos diminui as chances do organismo desencadear uma resposta exagerada ao estímulo doloroso, inibindo o ciclo em que dor aumenta a sensação de ameaça que, por sua vez, aumenta a sensibilidade à dor.

Opium

Estas substâncias, quando liberadas pelo organismo, contribuem para o aumento da tolerância à dor e, através de seu efeito sistêmico, têm resultado generalizado. Assim, alguém que sofre de dor crônica no ombro, por exemplo, pode beneficiar-se de uma caminhada.

Não se trata aqui de minimizar o uso de medicamentos, pelo contrário: o remédio adequado é um recurso muito valioso e não pode ser desprezado. O uso desmedido de analgésicos, por exemplo, pode inibir as respostas fisiológicas do organismo à dor e tornar o corpo dependente de doses cada vez maiores para obter o efeito desejado, tornando-o inócuo e perigoso. Perde-se, assim, um importante aliado no combate à dor.

Se a dor é uma experiência multifatorial, seu tratamento também deve ser e proporcionar  acolhimento, desenvolver resiliência e  construir auto-confiança, restaurando a esperança na cura.

 

Hérnia de Disco tem Salvação!

19 ago

hernia de disco

Sim. Hérnia de disco não traumática tem cura e a melhora acontece, na maioria das vezes, espontaneamente. 31 estudos avaliaram o histórico natural de lesões do disco lombar e documentaram o fato de que estas lesões de disco podem se tornar menores ou são completamente resolvidas em curto prazo, comprovando a cura por tomografia computadorizada e ressonância magnética.

A hérnia de disco intervertebral lombar é uma das causas mais frequentes de dores nas costas. Altamente incapacitante em sua fase aguda, a lombalgia é líder na lista de absenteísmo em escritórios e já conquistou o status de epidemia do mundo contemporâneo a algum tempo.

A estabilidade da coluna lombar não depende apenas da morfologia da coluna ou do tônus da musculatura postural, mas do correto funcionamento do sistema neuromuscular. Portanto, se a estrutura da coluna lombar está comprometida, o sistema adapta-se para fornecer estabilidade dinâmica à coluna.  Essa é a chave para a resolução do problema.

Porém, quando o sistema nervoso não consegue responder à instabilidade, a dor se torna crônica e a cura não ocorre naturalmente. Neste caso o sistema precisa ser “reprogramado”.

O tratamento conservador – anti-inflamatórios, exercícios, fisioterapia – ajudam na resolução do problema,  mas antes alguns paradigmas precisam ser revistos:

  • “Dor = Lesão”

A dor não está diretamente relacionada à hérnia, mas a desequilíbrios que levaram eventualmente à ela.

  • “Eu sinto que não posso confiar em minhas costas.”

Você deve confiar em suas costas. A redução na mobilidade é parte do problema, nunca da solução.

  • “Dor nas costas requer repouso”.

Dor nas costas não requer repouso, mas movimento e carga gradual.

  • “É perigoso dobrar a coluna”

Não só é seguro como necessário. A coluna deve mover-se em todos os planos de movimento.

  • Jogar, brincar e mover-se não é seguro.

Na realidade, atividades físicas de caráter lúdico, pela sua imprevisibilidade, são ótimas para o desenvolvimento neuromuscular.

  • Se machucar, contraia, proteja e evite.

Se machucar, relaxe, respire e mova-se normalmente.

  • Movimento e carga são perigosos para as costas.

Movimento e carga deixam as costas mais fortes.

Nenhum texto alternativo automático disponível.

Gráfico de Ben Cormack

 

O Mito da Postura Perfeita

28 jul

postura perfeita

 

“Sente-se direito”, “mantenha as costas eretas”, “abra o peito”. Crescemos ouvindo instruções como estas na escola, nas academias de ginástica e em casa, o que leva a uma crença profundamente arraigada que má postura leva a dores nas costas e doenças. Não há, entretanto, evidências científicas que sugiram a existência de uma postura perfeita.

Realizar mudanças posturais, explorando o movimento em toda sua magnitude, é muito mais eficiente na prevenção de dores nas costas que estratégias que insinuam a permanência de uma postura rígida, estática ou “correta”.

A diminuição de dores inespecíficas da coluna relaciona-se, precisamente, à dificuldade em relaxar a musculatura postural. Culturalmente, a má postura está ligada a desleixo, desinteresse e desânimo o que se configura em um obstáculo ao exercício de mudanças posturais.

É preciso ter conhecimento sobre a imensa variabilidade anatômica das curvas normais da coluna entre as pessoas. Submeter indivíduos diferentes a exigências que fisicamente nunca serão capazes de fazer é uma agressão, subestimar sua capacidade de explorar seu potencial é negligência.

Flexionar e estender a coluna é muito bom para as articulações intervertebrais, mas existe muito medo que isso possa machucar as costas. O senso comum recai mais uma vez sobre a prerrogativa de que a extensão da coluna deva ser mantida independente da postura e da exigência funcional que se faz sobre o corpo em determinado momento. Já as pesquisas baseadas em evidências apontam precisamente o contrário.

Se dobramos exageradamente a coluna para frente e para trás para realizar um trabalho que deveria ser responsabilidade dos quadris e pernas, por exemplo, o problema definitivamente não é da coluna. Recalcular novos padrões de movimento e permitir que a musculatura da coluna não responda pela fraqueza dos músculos da pelve e membros inferiores é uma maneira realmente útil de ajudar a maioria das pessoas com dores nas costas a melhorar sua condição.

Uma postura específica não faz sentido. Uma variedade de posturas faz muito sentido. Criar variabilidade de movimento é realmente mais sensato do que sentar-se direito .

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Como um Lagarto na Pedra.

27 maio

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Yoga Pretzels, de Tara Guber e Leah Kalish.  Ilustração Sophie Fatus

Quando praticamos um movimento, buscando deixá-lo mais preciso e objetivo, aumentamos a área cerebral implicada em sua execução. Isso quer dizer que nosso envolvimento com o movimento será tão mais profundo quanto mais intensa tiver sido nossa experiência ao realizá-lo.

Se a experiência na realização dos movimentos leva ao aumento da área do cérebro usada em sua execução, a dor crônica, por outro lado, pode estar implicada no baixo engajamento das regiões cerebrais relacionadas ao local da dor durante o movimento.

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Alteração na área do sinal do cérebro em dores crônicas nos joelhos (síndrome patelofemural). Dor crônica (PFP)  x sem dor (control). TE, Maxine et al. Primary motor cortex organization is altered in persistent patellofemoral pain. Pain Medicine, v. 18, n. 11, p. 2224-2234, 2017

O aumento da área cerebral envolvida no movimento pode acontecer pelo aprimoramento do gesto através de seu treinamento, pela exploração consciente do movimento ou a partir da expansão de seu significado subjetivo, suscitando imagens relacionadas direta ou metaforicamente ao gesto – seu significante.

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Yoga Pretzels, de Tara Guber e Leah Kalish.  Ilustração Sophie Fatus

A representação do gesto forma a matéria-prima que irá constituir a consciência sobre nós mesmos, a imagem que fazemos de nosso corpo e consequentemente do ambiente em que estamos inseridos.

“O corpo é, em primeiro lugar, o meio de toda percepção” (Husserl) e irá fornecer a matéria-prima para o desenvolvimento da consciência.

Realizar o movimento de maneira consciente, estabelecendo conexões entre as diversas partes do corpo envolvidas em sua execução e suscitando imagens pertinentes ao gesto estimula a descoberta e torna o movimento uma importante via de acesso para o autoconhecimento e tratamento de disfunções motoras.

From The Human Body, 1959, illustrations by Cornelius De Witt

From The Human Body, 1959, illustrations by Cornelius De Witt

O aumento do repertório motor nasce dessa intervenção no ambiente. Somos,  portanto, resultado de nossa ação no espaço e não uma folha em branco que registra passivamente tudo o que percebe.

Se você não faz, nem imagina.

28 abr

mother Nature

fonte: Mother Natured

Apenas imaginar um movimento em toda sua amplitude, com detalhes, no espaço e no tempo, equivale em certa medida a realizá-lo na prática. Para o cérebro, imagem e realidade confundem-se e, a princípio, acabam ativando as mesmas regiões corticais.

No entanto, a riqueza de nossa experiência conta muito. Se realizamos um movimento várias vezes, buscando deixá-lo mais preciso e objetivo a cada repetição, aumentamos a área cerebral implicada em sua representação. Mais completa e detalhada será a imagem do movimento quanto mais intensa tiver sido nossa experiência anterior ao realizá-lo.

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Movimento imaginado por atletas (high jumpers) x não atletas (controls)  para o mesmo gesto (Olsson, 2010).

Assim, a força da imagem aumenta nosso repertório perceptivo e, consequentemente, desenvolve a consciência sobre nós mesmos para além dos limites do corpo, em direção ao ambiente que nos rodeia.

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Uttitha Trikonasa, B.K.S. Iyengar

Não somos, portanto, uma folha em branco onde se registra passivamente tudo o que percebemos. A construção do conhecimento depende de uma intervenção ativa do corpo no espaço.

“ O mundo está disponível através do movimento e da interação. A experiência da percepção adquire conteúdo graças à posse de habilidades corporais. O que percebemos está determinado pelo que fazemos, ou o pelo que sabemos como fazer.” Alva Noe

Base é Tudo.

1 abr

base

As pegadas que deixamos para trás são únicas e sem precedentes,  marcas tão distintas quanto nossas digitais e que trazem em suas linhas a história de nossa batalha contra a força da gravidade. Levamos milhares de anos para equilibrar satisfatoriamente um corpo longilíneo e uma cabeça pesada sobre uma base de apoio tão pequena quanto nossos pés, e esta história está longe do fim.

“Apesar de nossa evolução como bípedes, continuamos sendo quadrúpedes em toda nossa estrutura, como demonstram nossos gestos. (…) Sofremos as seqüelas dessa evolução ainda incompleta” (Marcel Bienfait).

Nossas pegadas expressam mais que a busca para vencer terrenos desfavoráveis e superar obstáculos inesperados; evidenciam nossa procura para adequar o corpo, sua singularidade, ao ambiente que habitamos.  Assim, os pés desenvolveram uma estrutura única, onde resistência e mobilidade coexistem, levando ao aparecimento de uma arquitetura efêmera, que ressurge a cada passo, determinada pelas forças que interagem continuamente enquanto nos esforçamos para permanecer em pé.

Desta maneira, os pés negociam continuamente com a superfície que tocam, ora cedendo às irregularidades do terreno, por vezes corrigindo desequilíbrios posturais. As marcas deixadas pelos pés no solo expressam a eficiência dessa troca.

footprint

Quando impossibilitados de desempenhar suas funções plenamente, os pés irão delegá-las aos segmentos adjacentes, que podem não estar preparados para tais atribuições. Surgem então doenças que acometem os joelhões, quadris e coluna, e cuja a causa pode não se encontrar no segmento acometido.

Na prática de Yoga, as posturas em pé estabelecem o alicerce para o desenvolvimento do equilíbrio e da estabilidade, ao mesmo tempo que criam um repertório sobre o qual é possível evoluir com segurança em direção a posturas mais exigentes.

Posturas que experimentam a mobilidade intrínseca dos pés,  exploram o equilíbrio sobre um pé ou em ‘tandem’ são comuns na prática de Yoga e suscitam a instabilidade própria de cada postura, estimulando receptores nervosos de superfície e proprioceptivos que impactam no desenvolvimento global do corpo.

Apenas quando dispomos de uma base firme, podemos colocar o resto da casa em ordem, afinal não é possível construir algo duradouro sobre uma fundação débil.

Inverta-se

25 fev

Praticantes de Hatha Yoga buscam entender a si mesmos como resultado direto de sua atividade física. O ritmo do coração, a profundidade da respiração, a amplitude dos movimentos, a força, tudo devidamente observado, aprendido e registrado.

O tradicional livro Hatha Yoga Pradipika cita especificamente uma postura de yoga chamada Viparita Karani, cuja a execução teria o poder de conquistar o tempo e sublimar a morte. “Na região do umbigo fica o sol solitário, cuja essência é fogo; no palato fica a lua eterna, cuja essência é néctar. O palato pinga o néctar boca adentro e é queimado pelo sol na altura do umbigo. A postura Viparita Karani é realizada para reter o néctar que seria perdido” (Goraksha Shataka).

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Viparita Karani: flexão de quadris + extensão lombar

Algumas escolas de hatha yoga afirmam que amrita – o néctar da imortalidade – está guardado dentro da caixa craniana, região que inferimos ser a sela túrcica. Dizem que, com o passar dos anos, o valoroso néctar de amrita escorre em direção ao abdômen onde é consumido pelo fogo interno. Assim, ficar de cabeça para baixo –  praticar um postura invertida – poderia reter amrita prolongando a vida de um praticante disciplinado.

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 hipófise dentro da sela túrsica. Henry Gray

A partir dos textos, podemos deduzir que o sitio de amrita é a glândula hipófise, e a importância desta no controle do metabolismo do corpo (“fogo interno”) é conhecido, como é sabida a correlação entre atividade metabólica e seus subprodutos sobre a qualidade de vida e longevidade.  Não ao acaso, na tradição de Iyengar Yoga, duas posturas invertidas são consideradas rei e rainha de todas as posturas, sirsasana e salamba sarvangasana, respectivamente.

 

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postura: sirsasana

Nosso senso de orientação espacial e equilíbrio, determinado pelo sistema vestibular rege primariamente a posição da cabeça. Ao mudar nossa posição em relação à força da gravidade, mesmo que por alguns instantes, mudamos a hierarquia de forças que conferem equilíbrio e orientação ao nosso corpo.

O corpo saudável dispõe de mecanismos rápidos e eficientes para subordinar alterações promovidas pela gravidade devido a mudanças posturais, restaurando rapidamente a homeostase apesar de sua orientaçãoespacial.  Isso não exime de importância o efeito generalizado desencadeado pelas posturas invertidas.

No sistema circulatório, por exemplo, os vasos sanguíneos aplicam um intrincado sistema tributário ao coração. Virar de cabeça para baixo inverte as regras do jogo e encoraja o retorno venoso, levando o organismo a lançar mão de mecanismos robustos para equilibrar a Pressão Arterial Sistêmica, que é prontamente reestabelecida em indivíduos saudáveis.

O impacto é ainda maior sobre os vasos linfáticos, que dependem em grande medida da ação da gravidade para facilitar seu escoamento. O simples ato de ‘por as pernas para cima’ estimula a drenagem linfática dos membros inferiores.

 

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 postura: urdva prasarita padasana 90º na parede

Somos íntimos da força da gravidade, afinal é ela quem dá direção e sentido ao desenvolvimento de nossos músculos e ossos desde a gestação. Nosso corpo se formou para manter nossas funções vitais ‘com’ e ‘apesar’ da força gravitacional. Ficar de cabeça para baixo muda profundamente nossa perspectiva em relação ao mundo e ao corpo.

Mais do que em qualquer outra atividade física, as posturas invertidas são frequentemente empregadas na prática de Yoga. Seus efeitos fisiológicos são muitos e recaem sobre vários sistemas e órgãos do corpo humano. Entretanto, é o estímulo à adaptação, antes de qualquer outro, o grande benefício comum que se origina da prática destas posturas.

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