Como um Lagarto na Pedra.

27 maio

31_05_18 08_17 Office Lens

Yoga Pretzels, de Tara Guber e Leah Kalish.  Ilustração Sophie Fatus

Quando praticamos um movimento, buscando deixá-lo mais preciso e objetivo, aumentamos a área cerebral implicada em sua execução. Isso quer dizer que nosso envolvimento com o movimento será tão mais profundo quanto mais intensa tiver sido nossa experiência ao realizá-lo.

Se a experiência na realização dos movimentos leva ao aumento da área do cérebro usada em sua execução, a dor crônica, por outro lado, pode estar implicada no baixo engajamento das regiões cerebrais relacionadas ao local da dor durante o movimento.

Imagem suscitada movimento 2

Alteração na área do sinal do cérebro em dores crônicas nos joelhos (síndrome patelofemural). Dor crônica (PFP)  x sem dor (control). TE, Maxine et al. Primary motor cortex organization is altered in persistent patellofemoral pain. Pain Medicine, v. 18, n. 11, p. 2224-2234, 2017

O aumento da área cerebral envolvida no movimento pode acontecer pelo aprimoramento do gesto através de seu treinamento, pela exploração consciente do movimento ou a partir da expansão de seu significado subjetivo, suscitando imagens relacionadas direta ou metaforicamente ao gesto – seu significante.

31_05_18 08_23 Office Lens

Yoga Pretzels, de Tara Guber e Leah Kalish.  Ilustração Sophie Fatus

A representação do gesto forma a matéria-prima que irá constituir a consciência sobre nós mesmos, a imagem que fazemos de nosso corpo e consequentemente do ambiente em que estamos inseridos.

“O corpo é, em primeiro lugar, o meio de toda percepção” (Husserl) e irá fornecer a matéria-prima para o desenvolvimento da consciência.

Realizar o movimento de maneira consciente, estabelecendo conexões entre as diversas partes do corpo envolvidas em sua execução e suscitando imagens pertinentes ao gesto estimula a descoberta e torna o movimento uma importante via de acesso para o autoconhecimento e tratamento de disfunções motoras.

From The Human Body, 1959, illustrations by Cornelius De Witt

From The Human Body, 1959, illustrations by Cornelius De Witt

O aumento do repertório motor nasce dessa intervenção no ambiente. Somos,  portanto, resultado de nossa ação no espaço e não uma folha em branco que registra passivamente tudo o que percebe.

Se você não faz, nem imagina.

28 abr

mother Nature

fonte: Mother Natured

Apenas imaginar um movimento em toda sua amplitude, com detalhes, no espaço e no tempo, equivale em certa medida a realizá-lo na prática. Para o cérebro, imagem e realidade confundem-se e, a princípio, acabam ativando as mesmas regiões corticais.

No entanto, a riqueza de nossa experiência conta muito. Se realizamos um movimento várias vezes, buscando deixá-lo mais preciso e objetivo a cada repetição, aumentamos a área cerebral implicada em sua representação. Mais completa e detalhada será a imagem do movimento quanto mais intensa tiver sido nossa experiência anterior ao realizá-lo.

Imagem suscitada movimento 1

Movimento imaginado por atletas (high jumpers) x não atletas (controls)  para o mesmo gesto (Olsson, 2010).

Assim, a força da imagem aumenta nosso repertório perceptivo e, consequentemente, desenvolve a consciência sobre nós mesmos para além dos limites do corpo, em direção ao ambiente que nos rodeia.

bks iyengar trukonasanalines

Uttitha Trikonasa, B.K.S. Iyengar

Não somos, portanto, uma folha em branco onde se registra passivamente tudo o que percebemos. A construção do conhecimento depende de uma intervenção ativa do corpo no espaço.

“ O mundo está disponível através do movimento e da interação. A experiência da percepção adquire conteúdo graças à posse de habilidades corporais. O que percebemos está determinado pelo que fazemos, ou o pelo que sabemos como fazer.” Alva Noe

Base é Tudo.

1 abr

base

As pegadas que deixamos para trás são únicas e sem precedentes,  marcas tão distintas quanto nossas digitais e que trazem em suas linhas a história de nossa batalha contra a força da gravidade. Levamos milhares de anos para equilibrar satisfatoriamente um corpo longilíneo e uma cabeça pesada sobre uma base de apoio tão pequena quanto nossos pés, e esta história está longe do fim.

“Apesar de nossa evolução como bípedes, continuamos sendo quadrúpedes em toda nossa estrutura, como demonstram nossos gestos. (…) Sofremos as seqüelas dessa evolução ainda incompleta” (Marcel Bienfait).

Nossas pegadas expressam mais que a busca para vencer terrenos desfavoráveis e superar obstáculos inesperados; evidenciam nossa procura para adequar o corpo, sua singularidade, ao ambiente que habitamos.  Assim, os pés desenvolveram uma estrutura única, onde resistência e mobilidade coexistem, levando ao aparecimento de uma arquitetura efêmera, que ressurge a cada passo, determinada pelas forças que interagem continuamente enquanto nos esforçamos para permanecer em pé.

Desta maneira, os pés negociam continuamente com a superfície que tocam, ora cedendo às irregularidades do terreno, por vezes corrigindo desequilíbrios posturais. As marcas deixadas pelos pés no solo expressam a eficiência dessa troca.

footprint

Quando impossibilitados de desempenhar suas funções plenamente, os pés irão delegá-las aos segmentos adjacentes, que podem não estar preparados para tais atribuições. Surgem então doenças que acometem os joelhões, quadris e coluna, e cuja a causa pode não se encontrar no segmento acometido.

Na prática de Yoga, as posturas em pé estabelecem o alicerce para o desenvolvimento do equilíbrio e da estabilidade, ao mesmo tempo que criam um repertório sobre o qual é possível evoluir com segurança em direção a posturas mais exigentes.

Posturas que experimentam a mobilidade intrínseca dos pés,  exploram o equilíbrio sobre um pé ou em ‘tandem’ são comuns na prática de Yoga e suscitam a instabilidade própria de cada postura, estimulando receptores nervosos de superfície e proprioceptivos que impactam no desenvolvimento global do corpo.

Apenas quando dispomos de uma base firme, podemos colocar o resto da casa em ordem, afinal não é possível construir algo duradouro sobre uma fundação débil.

Inverta-se

25 fev

Praticantes de Hatha Yoga buscam entender a si mesmos como resultado direto de sua atividade física. O ritmo do coração, a profundidade da respiração, a amplitude dos movimentos, a força, tudo devidamente observado, aprendido e registrado.

O tradicional livro Hatha Yoga Pradipika cita especificamente uma postura de yoga chamada Viparita Karani, cuja a execução teria o poder de conquistar o tempo e sublimar a morte. “Na região do umbigo fica o sol solitário, cuja essência é fogo; no palato fica a lua eterna, cuja essência é néctar. O palato pinga o néctar boca adentro e é queimado pelo sol na altura do umbigo. A postura Viparita Karani é realizada para reter o néctar que seria perdido” (Goraksha Shataka).

Resultado de imagem

Viparita Karani: flexão de quadris + extensão lombar

Algumas escolas de hatha yoga afirmam que amrita – o néctar da imortalidade – está guardado dentro da caixa craniana, região que inferimos ser a sela túrcica. Dizem que, com o passar dos anos, o valoroso néctar de amrita escorre em direção ao abdômen onde é consumido pelo fogo interno. Assim, ficar de cabeça para baixo –  praticar um postura invertida – poderia reter amrita prolongando a vida de um praticante disciplinado.

Resultado de imagem para hipofisis henry gray

 hipófise dentro da sela túrsica. Henry Gray

A partir dos textos, podemos deduzir que o sitio de amrita é a glândula hipófise, e a importância desta no controle do metabolismo do corpo (“fogo interno”) é conhecido, como é sabida a correlação entre atividade metabólica e seus subprodutos sobre a qualidade de vida e longevidade.  Não ao acaso, na tradição de Iyengar Yoga, duas posturas invertidas são consideradas rei e rainha de todas as posturas, sirsasana e salamba sarvangasana, respectivamente.

 

Resultado de imagem para sirsasana

postura: sirsasana

Nosso senso de orientação espacial e equilíbrio, determinado pelo sistema vestibular rege primariamente a posição da cabeça. Ao mudar nossa posição em relação à força da gravidade, mesmo que por alguns instantes, mudamos a hierarquia de forças que conferem equilíbrio e orientação ao nosso corpo.

O corpo saudável dispõe de mecanismos rápidos e eficientes para subordinar alterações promovidas pela gravidade devido a mudanças posturais, restaurando rapidamente a homeostase apesar de sua orientaçãoespacial.  Isso não exime de importância o efeito generalizado desencadeado pelas posturas invertidas.

No sistema circulatório, por exemplo, os vasos sanguíneos aplicam um intrincado sistema tributário ao coração. Virar de cabeça para baixo inverte as regras do jogo e encoraja o retorno venoso, levando o organismo a lançar mão de mecanismos robustos para equilibrar a Pressão Arterial Sistêmica, que é prontamente reestabelecida em indivíduos saudáveis.

O impacto é ainda maior sobre os vasos linfáticos, que dependem em grande medida da ação da gravidade para facilitar seu escoamento. O simples ato de ‘por as pernas para cima’ estimula a drenagem linfática dos membros inferiores.

 

Resultado de imagem para urdhva prasarita padasana wall

 postura: urdva prasarita padasana 90º na parede

Somos íntimos da força da gravidade, afinal é ela quem dá direção e sentido ao desenvolvimento de nossos músculos e ossos desde a gestação. Nosso corpo se formou para manter nossas funções vitais ‘com’ e ‘apesar’ da força gravitacional. Ficar de cabeça para baixo muda profundamente nossa perspectiva em relação ao mundo e ao corpo.

Mais do que em qualquer outra atividade física, as posturas invertidas são frequentemente empregadas na prática de Yoga. Seus efeitos fisiológicos são muitos e recaem sobre vários sistemas e órgãos do corpo humano. Entretanto, é o estímulo à adaptação, antes de qualquer outro, o grande benefício comum que se origina da prática destas posturas.

Emovere

25 jan

cat

Emovere é uma palavra em latim que significa movimento e expressão. Emovere também está na raiz da palavra emoção.

Intuitivamente, interpretamos facilmente traços de personalidade e humor a partir de sinais do corpo. Em silêncio, o corpo transcende cultura, etnia e espécie e se faz entender.

Certo estado de espírito pode ser traduzido em gestos, movimentos e posturas. Assim, um animal pode expressar afeto, raiva, apreensão ou medo com o corpo, deixando claro o que sente e quais suas intenções. Da mesma maneira, o ator interfere voluntariamente nos sinais do corpo para criar sua personagem, construindo uma outra identidade. Por sua vez, a desconexão entre os sinais do corpo e a maneira como são interpretados, origina emoções igualmente desconexas, apontando para patologias severas como os transtornos de ansiedade e de humor.dancer

O cérebro dos mamíferos libera substâncias neurotransmissoras que desencadeiam alterações no estado emocional e modulam a liberação de hormônios. Os chamados neuropeptídeos têm efeito sobre as áreas cerebrais responsáveis pela modificação dos parâmetros de humor, excitação, depressão e dor. No sistema nervoso, estas substâncias são responsáveis pela comunicação que ocorre entre os neurônios e irão influenciar a execução de todas as atividades físicas e mentais de nosso organismo. O sistema nervoso, porém, não é o único destino destas substâncias, que encontram receptores espalhados pelos tecidos e órgãos de todo o organismo, desencadeando reações pelo corpo como um todo e expressando-se de modo singular.

that´s it

O estado adrenérgico encontrado em pessoas ansiosas, por exemplo, tende a acompanhar um alto tônus muscular, o que coloca a musculatura em estado de tensão permanente, alterando a maneira como o corpo se organiza no espaço.

Assim, na busca pela disfunção do movimento, tão importante quanto determinar as causa subjacente à disfunção somática é buscar entender a dinâmica que orquestra estes estados.

Interagindo continuamente com o meio ambiente, o corpo é o lugar par excellence onde a experiência acontece. Os sinais que provém do corpo são organizados, categorizados e integrados pelo sistema nervoso a outras experiências formando as representações básicas daquilo que chamamos de ‘eu’. Uma mente tranquila, assim, reside onde as representações básicas do organismo são fidedignas às experiências provenientes do mundo.

Se as informações procedentes do corpo são truncadas ou distorcidas, assim será o gesto.  Logo, as representações do organismo e do meio estarão em conflito. Neste caso, o desequilíbrio tende a persistir a guisa de intervenções.

Desta maneira, o ser emocional está no núcleo do movimento e não deve ser negligenciado.

Assediar o movimento com atenção e executar ações precisas, com clareza de propósito e consciência evidencia os processos mentais e os movimentos ulteriores. A compreensão de que o corpo e a consciência formam um todo sustenta as estratégias que irão por às claras os padrões motores recorrentes e lançar luz sobre os processos mentais.

Se a atenção não está alocada no próprio corpo durante o movimento, não há consciência e os exercícios passam a ser executados mecanicamente. Sem reflexão, os padrões viciosos são consolidados e ampliados. Na melhor das hipóteses, este trabalho é inócuo e se traduz em completa perda de tempo.

Apenas quando a atenção se debruça sobre a postura e movimento, o foco é interiorizado e o exercício leva ao aprendizado, este sim promotor de mudanças. O exercício assim terá impacto no indivíduo como um todo.

crédito das ilustrações: Free Daily Drama Game

2018

21 dez

Promessa de ano-novo é sinônimo de fracasso premeditado. Perder peso, guardar dinheiro, entrar em forma, estudar, viajar, fazer trabalho voluntário, organizar gavetas, mudar de emprego, namorado ou marido. Talvez o excesso de champanhe nos leve a crer que chegou o momento de colocar em prática tudo aquilo que empurramos com a barriga a vida inteira e ainda não conseguimos tirar do papel. Pois o “ano-que-vem” chegou.

Coisa nenhuma muda enquanto os valores, crenças e temores de ontem persistirem. Podemos até ficar um pouco frustrados com nossa própria resignação frente aos fatos, mas nada que nos leve a virar a mesa. Enquanto não nos desapegamos daquilo que somos, dos papéis que exercemos ou das funções que ocupamos, tendemos a continuar exatamente onde estamos a despeito de nossos esforços.

A idéia de abhininvesa, como apresentada nos Yoga Sutras por Patanjali, presta-se muito bem para elucidar nosso eterno retorno ao ponto de partida. Causa de aflição, abhininvesa relaciona-se ao nosso apego à vida e medo da morte. A morte, contra a qual cada ser vivo trava uma feroz batalha desde seu nascimento até o fim derradeiro, está na raiz da vida e “(…) a impressão latente causada pela experiência da dor da morte é a mesma tanto no sábio quanto no ignorante” (Bangali Baba).

Situados em algum lugar entre “sábios” e “ignorantes”, transportamos astutamente nosso medo da morte para lugares onde podemos exercer alguma influência sobre ele, por exemplo, no trabalho, no âmbito familiar ou junto aos amigos. Dentro das divisórias do escritório ou cercados pelos muros do condomínio nos sentimos mais seguros para travar nossa luta diária pela vida.

O conceito de abhininvesa não aborda estritamente o fim da vida biológica, ainda que este seja sua matéria-prima, mas relaciona-se com a ideia de fim em geral. O medo atávico da morte acaba sustentando o continuísmo, a repetição e nosso eterno retorno à linha de largada. Nada muda significativamente enquanto não formos capazes de nos desapegar daquilo que somos, de perder o medo.

Por outro lado, a cada minúscula, precisa e corajosa incisão feita por nós em nossa própria índole refletirá profundamente em nossa conduta, em nossos costumes e na vida, promovendo mudanças exponenciais em tudo aquilo que gravita ao nosso redor.  Neste contexto, expectativas sofre o futuro perdem completamente o sentido, pois você estará sempre a uma ação de uma vida completamente diferente.

Em 2018 não faça promessas: “seja a mudança que você quer ver no mundo” (Mahatma Gandhi).

नमस्ते

Franca e João

Retiro de Yoga em Paraty

24 set

A imagem pode conter: 1 pessoa, texto
Programação para o Retiro de Ashtanga e Bhakti Yoga.

☆Programação Diária:

Sexta-Feira, 20/10

16:30 – Check in e Ambientação
20:00 – Jantar
21:00 – Descanso

Sabado, 21/10

06:00 – Prática de Yoga
07:30 – Meditacao no Templo
08:00 – Palestra do Srimad Bhagavatam
09:00 – Café da manhã
10:30 – Caminhada e Cachoeiras
14:00 – Almoço
15:00 – horário livre e terapias opcionais
16:30 – Aula de Yoga Tecnica
20:00 – Jantar
21:00 – Descanso

Domingo, 22/10

06:00 – Prática de Yoga
07:30 – Meditacao no Templo
08:00 – Palestra do Srimad Bhagavatam
09:00 – Café da manhã
10:30 – Caminhada e Cachoeiras
14:00 – Almoço
15:00 – Despedida

 

Detalhes sobre acomodações e preços aqui.

O não movimento.

30 jul

Quando nasce, a criança lança braços e pernas em direção ao espaço em interação com o mundo. A combinação entre força e potência usada pelo bebê muitas vezes não é lá muito eficiente e, à primeira vista, parece desordenada e sem sentido. Fato é que sem o devido controle, a busca por um chocalho ou brinquedo se perde no caminho em direção ao objeto.

O movimento que expressa intenção requer um freio, um limite, um não-movimento. Neste contexto, liberdade e constrição não são antagônicos, mas variáveis da mesma equação e coexistem. São as restrições que se impõe ao curso do movimento, ao lado dos estímulos primeiros responsáveis pela ação, aquelas capazes de promover a completa expressão do corpo.

Com o passar dos anos, a impossibilidade de realizar toda a amplitude do movimento gesta movimentos compensatórios. É a eficácia do gesto, sua funcionalidade, e não sua qualidade que irá modelar o sistema nervoso e, consequentemente, todo o corpo em sua relação com o ambiente. A diversidade dá espaço a soluções econômicas e a variabilidade é deixada de lado para ceder espaço à estabilidade.

Tônus elevado em cadeia extensora leva não apenas à dificuldade de flexão dos quadris, mas de sua rotação interna e de flexão e eversão do tornozelo. A restrição imposta pelo cinto altera o curso da postura.

 

Assim, intervir no curso da ação ou postura está além do plano meramente cinético ou cinemático e envolve informação e mudança comportamental. Durante o aprendizado, ou ‘reaprendizado’, a maneira como se executa um movimento deve predominar sobre qual movimento executar e, a partir desta premissa, alterar o curso da ação em direção a seu objetivo.

 

Se recrutados na abertura do braço, os músculos que fazem a rotação externa do membro diminuem o trabalho para elevá-lo e aumentam a cooptação da articulação do ombro, aumentando sua propriocepção. 

 

Anteparos e suportes que parecem impor limites à ação, antes estabelecem as bases para a mudança. As restrições ao movimento com o objetivo de ampliá-lo são incapazes de promover alterações em si, devem antes ser associados a informações pertinentes ao gesto, abrindo caminho importante não só para a mudança como para o autoconhecimento.

Yoga no Parque, 24/06.

5 jun

Convidamos a todos para participar do Dia Internacional do Yoga no parque Vicentina Aranha no sábado, 24 de junho de 2016. Vai ter tanta gente boa no evento que os horários acabam inevitavelmente coincidindo. Então resolvemos pinçar algumas aulas imperdíveis. As informações foram extraídas do material de divulgação da organização do evento que segue. A entrada é na faixa!

DIA INTERNACIONAL DO YOGA NO VICENTINA

08h00 ABERTURA | Local: Bambuzal

08h30 – PRÁNÁYÁMA, RESPIRAR BEM PARA VIVER MELHOR | Local: Sala de Leitura Reginaldo Poeta. Com Marcela Bigarella, instrutora de Hatha Yoga, Yoga Restaurativa.

08h30 – YOGA ASHTANGA | Local: Atrium Pavilhão São José. Com Zé Rangel, praticante de yoga há mais de 15 anos dos quais quase 10 são dedicados ao Ashtanga.

09h45 – MEDITAÇÃO | Local: Quiosque Alfredo Galvão. Com Cláudia Sato, professora de Yoga e Mindfulness, certificada pelo Yoga Alliance dos EUA. TT 220h.

09h45 HATHA YOGA | Local: Bambuzal. Com Eduardo Pereira, professor formado em Hatha Yoga pela UNITAU especializado em Yogaterapia, co-fundador do projeto Yoga no Parque; e Luci Ferreira, Professora de Hatha Yoga no Jardim do Yoga SJC e na FCCR.

09h45 YOGA MÃES & BEBÊS | Local: Quiosque São José. Com Renata Machado, psicóloga, instrutora de Hatha Yoga, yoga para gestantes e yogaterapia. Terapeuta floral e reikiana.

11h YOGA DO CANTO | Local: Bambuzal. Com Jesica Lanzillotta, Professora de Yoga, massoterapeuta e cantora de música devocional.

12h ENCONTRO DOS PROFESSORES DE YOGA | Local: Bambuzal. Ao final das práticas, os professores da região são convidados à reunirem-se para uma aula especial de Yoga, que será conduzida por um professor sorteado no local. O encontro também será um momento para integração, autocuidado e fortalecimento da comunidade dos professores de yoga da cidade.

DIA INTERNACIONAL DA YOGA NO PARQUE VICENTINA ARANHA
Data: 24/06 | Sábado
Horário: das 08h às 13h
Traga uma canga, esteira, tapete de yoga – algo que você possa forrar o chão.

O Outro no Espelho.

9 abr

Espelhos de Bergman

Um paciente com AVC luta para abrir uma porta. Um amputado está frustrado com os movimentos erráticos de seu novo membro protético. Um jovem saudável está desapontado com a aparência de seu corpo no espelho. Grande parte das dificuldades enfrentadas na interação com o ambiente relacionam-se à falta de sintonia entre nosso corpo e a imagem que temos dele.

Quase todo texto sobre percepção listará  a visão, audição, tato, paladar e olfato como os nossos cinco sentidos, o que não está certo. Esses sentidos não são suficientes sequer para guiar tarefas tão simples quanto alcançar e agarrar um objeto. Antes de tudo, precisamos ter disponível um mapa de nós mesmos. Podemos imaginar como seria difícil dirigir pelas ruas de uma cidade que desconhecemos sem um mapa? Ter um mapa de nós mesmos no cérebro é fundamental para que você possa chegar onde quer ir. Então, para fazer movimentos precisos, integramos a entrada sensorial com os mapas disponíveis de nosso corpo.

Estes mapas foram identificados pela primeira vez no córtex somatossensorial primário – região do cérebro que recebe e interpreta os impulsos sensoriais vindos do corpo. Curiosamente, o mapa disponível de nosso corpo é distorcido se comparado ao corpo em si,  assim como um atlas representa uma visão desproporcional do mundo. Nós normalmente não experimentamos o corpo como distorcido, mesmo que esses mapas cerebrais sejam desproporcionais. Portanto, existem outros processos que corrigem essa falta de acuidade.

homunculo de penfield

homúnculo de Penfield

Essa distorção é corrigida usando uma ilusão. Entendemos aqui ilusão como uma discrepância entre o estímulo físico e a percepção. No espaço entre estímulo físico e percepção, o cérebro faz continuamente suposições sobre o incerto e o provável.  O cérebro supõe, por exemplo, que dois toques próximos na pele,  ao mesmo tempo, originam-se de um único objeto.

Sabemos que tais mapas podem mudar – como eles se adaptam às mudanças na forma do nosso corpo à medida que crescemos. Se esses mapas não fossem atualizados, estaríamos sempre a esbarrar nossos braços em batentes de portas ou a cair de escadas ao dar passos maiores que os necessários.

Não há limite de idade para atualização desses mapas e se a ilusão é usada para consolidar a imagem que temos de nós mesmos, ela também é capaz de acelerar e otimizar o remapeamento.

Na prática de Yoga, Pilates, Dança ou qualquer outra atividade física em que a consciência corporal prevaleça sobre o desempenho corporal, a representação e o figurativo facilitam esse remapeamento. Linhas no espaço, ângulos nas articulações e círculos perfeitos com braços e pernas são prontamente apreendidos em sua estrutura.

Já dissemos por aqui:  “De fato, as linhas a partir das quais o movimento se expressa nada têm de contínuas, não há vértice nos ângulos do corpo, não há um centro na circunferência.  A simplicidade das formas, sua disponibilidade imediata, sua súbita apreensão pelos sentidos conecta vigorosamente o abstrato ao concreto e tem o poder de interferir decisivamente no curso da ação, estabilizando-a. Não se trata de mimetizar a forma com o corpo, mas recrutar instâncias intelectuais para mudar o trajeto do movimento ao elucidá-lo.”

%d blogueiros gostam disto: