No Stress

11 jul

Quando os médicos falam em “depressão” não querem necessariamente dizer desânimo, angústia ou abatimento – sentimentos pelos quais todos nós passamos por vezes ou outra. A depressão clínica é um estado de tristeza ou excitação crônica que reduz profundamente a qualidade de vida de quem padece de seus sintomas e, se não tratada adequadamente, pode levar ao suicídio. Associando antidepressivos e psicoterapia, médicos buscam melhorar o ânimo e a disposição de seus pacientes. Por sua vez, a prática freqüente de Yoga pode atingir objetivos mais ambiciosos e não apenas aplacar os sintomas da depressão, pois coloca a pessoa em contato com a vida, conectando-a com uma fonte própria de tranqüilidade e quietude que lhe é inata.

Recentemente, médicos têm centrado esforços em tratar a depressão a partir das alterações bioquímicas do cérebro, especialmente usando drogas para elevar a atividade de neurotransmissores como a seratonina. Este é o mecanismo de ação dos medicamentos mais prescritos, também chamados de Inibidores Específicos da Recaptação da Serotonina (ou SSRIs – Selective Serotonin Reuptake Inhibitors) como Prozac, Paxil e Zoloft. Mas existem muitos outros caminhos – incluindo exercícios aeróbicos e Yoga – que elevam os níveis de seratonina e aumentam a atividade dos neurotransmissores.

Enquanto existem muitas pessoas no mundo do Yoga que têm um ponto-de-vista negativo sobre medicação antidepressiva, é certo que em alguns casos estes medicamentos são necessários e podem até salvar vidas. Mesmo apresentando fortes efeitos colaterais, algumas pessoas com depressão profunda e recorrente parecem apresentar melhoras substanciais quando fazem uso destes medicamentos. Outros podem beneficiar-se do uso de anti-depressivos por um curto período de tempo, enquanto começam a praticar exercícios, fazer dietas ou praticar Yoga, ganhando um tempo precioso antes que o uso do medicamento seja descontinuado.

Pessoas com depressão leve ou moderada não devem buscar nos SSRIs um atalho para a solução de seus problemas. Para estas pessoas, em adição à prática de Yoga, o chá de erva de São João (Hypericum perforatum) e o incremento de ômega 3 em suas dietas têm apresentado eficácia comprovada no tratamento da depressão. Essas medidas, se associadas a antidepressivos prescritos, auxiliam no tratamento de depressão severa.

Existe muito improviso no que tange à indicação e prescrição de antidepressivos e as pessoas acabam fazendo – e tomando – coisas que não fariam caso esses medicamentos fossem destinados à diabetes ou doenças do coração. Talvez isso faça parte da noção que problemas de cunho psicológico devam ser superados com um “sacode a poeira e dá a volta por cima”. Essa abordagem, obviamente, raramente funciona e os resultados costumam gerar traumas adicionais. Em se tratando de depressão, a terapia com remédios deveria ser considerada uma alternativa e os tratamentos alternativos uma terapia.

Personalizando a prescrição Yoguica.

De acordo com a tradição do Yoga, podem existir dois tipos de depressão. Uma reside sob a dominância de “tamas”, conceito associado à inércia. As pessoas que se enquadram neste perfil se sentem letárgicas e sem esperança. Uma pessoa com depressão tamásica, por assim dizer, apresenta-se fisicamente com os ombros e peitos contraídos e respira com dificuldade.

O tipo mais comum de depressão, entretanto, enquadra-se sob a dominância de “rajas”, o conceito associado à atividade e ação. Estas pessoas apresentam-se irritadas com freqüência, são competitivas e podem parecer agitadas. Em posturas recuperativas (como savasana ou ardha-padmasana), suas pálpebras e dedos apresentam movimentos espasmódicos sutis. Algumas pessoas reportam sentir dificuldade em relaxar ou respirar durante os exercícios respiratórios (pranayamas); um sintoma sistematicamente ligado à ansiedade.

De uma perspectiva Yóguica, pessoas que se enquadram dentro do conceito de tamas, devem concentrar a prática em atividades em que a respiração é fundamental, particularmente respirações profundas. Práticas vigorosas como o Surya Namaskar, equilíbrio-de-braços e outras posturas desafiadoras podem ter efeito terapêutico. O corpo e a mente estão tão ocupados com a prática que se torna difícil sair do controle e dispersar a mente. Neste caso, o alinhamento postural deve ser inicialmente relegado a um segundo plano e, desde que não se esteja fazendo nenhuma ação que possa levar a uma lesão, o melhor é focar a mente na respiração. Retroflexões, em particular, podem ser estimulantes e ajudar a enfrentar as caraterísticas de tamas, inicialmente com Setu Bandha Sarvangasa e posturas mais ativas, como Ustrasana e Urdhva Danurasana. Uma vez superadas as características de tamas através do Yoga, é possível relaxar mais profundamente. Pessoas que se enquadram no perfil tamásico não devem praticar relaxamento antes dos ásanas sob o risco de mergulhar em pensamentos não desejados.

Praticantes com depressão rajásica também tendem a responder positivamente à prática de Suryanamaskar e retroflexões, ainda que alguns considerem estes ásanas muito fortes. Práticas vigorosas têm a vantagem de ajudar os estudantes a queimar energia enquanto exigem concentração para não deixar a mente à deriva. Neste caso, uma prática intensa fornece as condições para que a pessoas que se enquadra neste perfil possa descansar com eficiência.

De fato, algumas pessoas têm tal tendência à divagação, ansiedade e pessimismo que o simples fato de fechar os olhos para relaxar em posturas recuperativas, como Savasana por exemplo, pode tornar-se contra-produtivo. Qualquer uma destas práticas pode, se necessário, ser executadas com os olhos abertos.

Dr. Timonthy McCall é editor médico da Yoga Journal Magazine.

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