Andar “Isquiosito”.

11 jul

O quadril é projetado para frente, o meio das costas desaba para o chão, fechando o peito e arqueando os ombros e para equilibrar tudo isso lançamos nossa cabeça à frente. Esses aborrecidos ísquios-tibiais. Sua obstinada inflexibilidade é uma fonte de frustração para a maioria dos praticantes de Yoga, Pilates e alongamento, principalmente por terem ouvido falar que as posturas de flexão podem livrá-los de dores nas costas e atuar na melhora de sua postura global.

E mais: Ficou provado que músculos alongados atingem mais cedo o auge da força e usar a força mais cedo, no caso da musculatura, é funcionar melhor. E essa antecipação se torna viável porque as sessões de alongamento promovem uma multiplicação curiosa a dos sarcômeros. “Eles são as unidades contráteis das células musculares”, define Mauro Chagas, da UFMG. Imagine seus músculos: cada um deles é formado por células bem compridas, as fibras, que, por sua vez, possuem minúsculas estruturas alinhadas, os tais sarcômeros. Quanto mais dessas estruturas, mais cada fibra consegue se esticar. “E também mais tempo ela consegue ficar fazendo força”, resume Gustavo Tasca.

No entanto, esse é o tipo de benefício que só aparece se você mantiver uma rotina. Isto é, se fizer Yoga, Pilates, Tai Chi Chuan ou aulas específicas de alongamento com regularidade. “Não são aqueles alongamentos isolados, feitos antes ou depois da ginástica, que irão aumentar os seus sarcômeros”, desmistifica o fisiologista Júlio Serrão, professor de biomecânica da Universidade de São Paulo. É preciso fazer mais e sempre.

Os ísquios-tibiais são compostos por um grande grupo de quatro músculos atrás das coxas e trabalham constantemente para nos manter de pé, para andar e correr. Devido à difícil natureza de seu trabalho, a estrutura de seu tecido é conseqüentemente robusta. Uma abundância de tecidos conectivos fazem dos ísquios tibiais mais difíceis de alongar que outros músculos. Mas a estrutura de seus tecidos não explicam, por si só, tamanha rigidez e resistência.

Os ísquios-tibiais tem duas funções: Eles estendem nosso quadril e flexionam nosso joelho. Quando nós andamos ou corremos estes músculos se contraem poderosamente, propelindo nosso quadril à frente com tanta força que nos movemos. E quando nós dobramos o joelho para levar o pé que ficou atrás para frente, os ísquios tibiais contraem-se para dobrar o joelho. Desta forma literalmente viajamos sobre nossos pés.

De maneira geral, os ísquios-tibiais dependem do que fazem nossos próprios pés.

Aqui vai o paradoxo: Os ísquios-tibiais podem, ao mesmo tempo, flexionar ou extender os joelhos. Ainda que o propósito destes músculos seja dobrar os joelhos, quando o joelho entra em hiperextensão, esses músculos participam na extensão o joelho.

A rigidez de nossos ísquios-tibiais pode ser exacerbada dependendo da maneira como nos calçamos. Calçados com sistemas de amortecimento evitam que usemos nossos calcanhares de maneira apropriada quando andamos e tendem a projetar nosso quadril à frente quando estamos em pé. Isso sobrecarrega os ísquios-tibiais enquanto deixam os glúteos subdesenvolvidos como músculos posturais. Em comparação, sociedades com a cultura para andar descalços mostram uma significante diferença no desenvolvimento dos músculos relacionados à postura.

Para alongar os ísquios-tibiais nada de pressa. Cada grupo muscular precisa ser exercitado de três a quatro vezes. “Mantenha a musculatura esticada por 30 segundos, mas sem forçar demais”, ensina Gustavo Tasca. “O incômodo precisa ser tolerável, aquela dorzinha gostosa”.

Os isquiotibiais encurtados demoram em atingir o pico da força no caso, apenas no grau 59. Provavelmente a musculatura está tão debilitada que não tem capacidade para executar o movimento no ponto certo.

Depois de ganhar comprimento e flexibilidade, os músculos chegam ao auge da força antes no grau 55. Isto é, durante o movimento de flexão do joelho, os músculos fazem mais força e por mais tempo. Significa que têm mais potência.

Dê download do texto completo, disponibilizado pela Yoga+Joyfull Living (em inglês) aqui.

Veja também: http://saude.abril.ig.com.br/edicoes/0261/corpo/conteudo_88060.shtml

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