Osso Duro de Roer.

19 jul

O osso é uma das estruturas mais duras do corpo, muito forte e plástico ao mesmo tempo, altamente adaptativo e que se molda obedecendo às exigências que dele fazemos durante nossa vida. À medida que o tempo passa, nosso corpo muda. O tamanho dos músculos se alteram. Tendões e ligamentos tornam-se menos elásticos. Os ossos se modificam e as articulações entre os ossos devem acompanhar essas mudanças.

 

Quando nos sentimos bem após uma atividade física, sentimo-nos como se tivéssemos passado por uma troca de óleo completa. Após a prática de Yoga, por exemplo, é natural usufruirmos de maior liberdade de movimento e de um bem-estar difícil de nomear. Na realidade, a atividade física não troca qualquer fluído, mas intensifica o movimento dos fluídos em seu corpo. O sangue circula em artérias e veias com maior velocidade, os músculos fazem a linfa movimentar-se com intensidade, os resíduos metabólicos são expelidos e seu sangue recarregado com oxigênio e nutrientes. Um desses fluídos, contudo, depende do próprio movimento para poder existir: O líquido sinovial.

 

Presente nas articulações do corpo que estão sujeitas a um alto grau de desgaste e precisam de um sistema de amortecimento extra, o líquido sinovial permite que os ossos movimentem-se sem fricção e resistam a forças compressivas. Como o ketchup, difícil de sair do frasco inicialmente, mas correndo fácil depois de começar, o líquido diminui a viscosidade à medida que aumentam as velocidades de cisalhamento. Isso ocorre nas articulações dos tornozelos e joelho quando corremos, por exemplo. Quando a articulação move-se lentamente, a viscosidade aumenta e sustentação proporcionada pelo líquido aumenta. Isso ocorre, por exemplo, quando praticamos Yoga.

 

Cada articulação sinovial está envolta em uma cápsula fibrosa que ajuda os ossos a permanecerem juntos. Esta cápsula delineia a membrana sinovial, uma capa frouxa que secreta líquido sinovial. Desta maneira seu corpo produz automaticamente a quantidade necessária de óleo lubrificante que precisa.





Além de amortecer, este claro e levemente viscoso líquido é importante porque leva nutrientes e oxigênio à cartilagem que existe na ponta dos ossos, a cartilagem articular (hialina). Esta cartilagem é sujeita a fricção significativa e diferentemente de outros tecidos do corpo, não tem suprimento próprio de sangue. Sem irrigação sanguínea, seu alimento é proporcionado pelo líquido sinovial. O movimento da articulação assim
movimenta o líquido sinovial que nutre a cartilagem mantendo-a saudável.

 

Forças compressivas aplicadas na superfície da cartilagem produzem moléculas lubrificantes que são secretadas no líquido sinovial, que por sua vez irá distribuir e lubrificar toda a superfície da cartilagem. Quando uma cartilagem não está sujeita a movimentos, menos lubrificante é produzido.


Porém, quando uma articulação é agredida ocorre um desbalanceamento, resultando na perda de rede formadora de moléculas lubrificantes e no aparecimento do defeito na superfície da cartilagem de hialina, desencadeando um processo degenerativo.
Neste caso, começa a ser produzido muito óleo lubrificante na articulação, indicando um processo inflamatório. A inflamação é parte da resposta ao processo de lesão, que inclui ainda o desgaste da cartilagem.

 

Se trabalhar a mobilidade diminui o risco de lesões na articulação. Uma vez instaurado o processo inflamatório, tudo muda. Uma articulação inflamada nunca deve ser trabalhada vigorosamente, pois aumenta o risco de aumentar e prolongar a inflamação. Atuar no sentido de promover a saúde é a melhor maneira de responder à inflamação. Articulações instáveis devido a uma entorse, por exemplo, costumam ser tratadas com bandagens e estabilizadores. Estes estabilizadores diminuem o movimento permitindo ao tecido machucado recuperar-se sem distúrbios. De outro modo, caso você continue se mexendo, estará repetitivamente causando microtraumas, que interrompem o processo de cura e aumentam o processo degenerativo.

 

A melhor maneira de impedir prejuízos às articulações do corpo durante a prática de uma atividade física é estar atento à dor que existe diretamente sobre a articulação ou ao redor da articulação. Na prática de Iyengar Yoga deve se buscar nos alinhamentos do corpo a eliminação da dor. Dor ao redor das articulações significa duas coisas: Ou você está alongando tecido conjuntivo, como tendões e ligamentos, que foram desenhados para estabilizar a articulação e que poderão tornar-se instáveis se forem alongados; ou você está comprimindo em demasia a articulação. Buscar na prática a fuga das dores na articulação é lei em qualquer atividade física.

 

É fundamental trabalhar intensamente outras partes do corpo e escolher ásanas (posturas de Yoga) que mantenham a articulação relativamente quietas até que o processo de dor e inchaço tenham regredido substancialmente. Isso não quer dizer que você deva imobilizar as articulações totalmente. Movimentos tênues e suaves ajudam no processo da cura, mantendo ligamentos, tendões e músculos irrigados e fazendo o líquido sinovial mover-se pela cartilagem de hialina. Entretanto, se o processo de inflamação permanece é imperativo a prescrição de um tratamento médico.

 

Acredita-se que o uso de substâncias condroprotetoras, drogas compostas por agentes semelhantes aos componentes da matriz cartilaginosa cuja composição inclue metionina, glutamina, glucosamina, arginina e cisteína, favoreça a regeneração articular de lesões de origem tramática. Mas a resposta tem sido bastante variável.

 

A realização de ásanas que exigem contração muscular isométrica, ou seja, que pedem força sem o movimento da articulação também é indicada, à medida que fortalecem a musculatura do entorno da articulação sem prejuízo à cartilagem de hialina.

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