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A Primeira Visita de B.K.S. Iyengar aos E.U.A.

14 mar

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Pelas mãos do violinista Yehudi Mehunim, B.K.S. Iyengar viajou o mundo divulgando o Yoga. Em sua primeira visita aos Estados Unidos, Iyengar foi capturado pelas lentes da revista Life e virou matéria na edição de agosto de 1956 ao ministrar aulas para uma família da alta sociedade americana. Confira a reportagem.

Sobre Peixes e Homens.

28 fev

Sem um chão firme, atolamos. Afundamos até que o solo abaixo de nossos pés se compacte o bastante para impedir nossa viagem Terra adentro. Concentramos todo nosso peso na pequena área compreendida entre os calcanhares e os dedos dos pés. A partir desta parca base de apoio criamos um alicerce para erigir nosso corpo do chão com todos os seus segmentos e apetrechos. Assim descolamos da superfície em direção ao espaço.

Quando saltamos da água para a terra firme, há pouco mais de 380 milhões de anos atrás, o esqueleto, antes sustentado gentilmente pela água em toda sua extensão, passou a custear nossa empreitada contra a gravidade. Um grande número de músculos se desenvolveu para bancar essa excursão em direção à terra firme e conferir uma estrutura adequada para que os ossos pudessem dar conta do recado e continuar a exercer suas funções.

Nos mares e rios, enquanto desloca uma quantidade de água equivalente a sua densidade, um peixe não afunda nem bóia. Sobe à superfície ou mergulha coordenando seu deslocamento no eixo vertical através de um sistema intrincado de controle biofísico, gerenciado por um cérebro complexo e receptores de pressão extremamente sensíveis. Sair da água e desgarrar-se do chão não foi fácil e tivemos que rastejar muito no barro antes de começar a engatinhar em terra firme.

Não se tratava apenas de respirar ar ao invés de água. Deixar mares e rios para trás representou sobreviver à ausência da sustentação oferecida pela água, passar a suportar a força descendente da gravidade e adaptar-se à resistência ascendente do chão ao peso. Finas e delicadas barbatanas adensaram-se na forma de patas musculosas.

De quatro no chão, os músculos se entrecruzaram em toda a extensão do torso em várias camadas, sustentando e ligando a coluna vertebral entre a bacia e os ombros. Como uma ponte pênsil, o tronco foi erguido do chão entre as patas da frente e de trás, suspenso pelas linhas de força que interligam toda sua estrutura anatômica de forma global. Qualquer movimento, do mais amplo deslocamento ao gesto mais delicado, mobiliza todo o corpo de modo a equilibrar suas incursões no espaço. Pata anterior direita para frente, posterior esquerda para trás; enquanto a bacia apoia os ombros, os ombros equilibram a bacia e assim o corpo campeou sobre os mais diversos tipos de terreno, vegetação e clima.

Levou ainda algum tempo antes de conseguirmos tirar as patas anteriores do chão para derrubar nosso almoço das árvores ou esticar o braço pela janela do carro para pegar um lanche no drive thru. Aos trancos e barrancos, adquirimos a forma mais adequada para desempenhar as funções necessárias à nossa sobrevivência, sem abandonar completamente algumas características em desuso, carregando em nosso corpo toda a história que nos trouxe até aqui. E a história continua…

“Apesar de nossa evolução como bípedes, continuamos sendo quadrúpedes em toda nossa estrutura, como demonstram nossos gestos. (…) Sofremos as seqüelas dessa evolução ainda incompleta” (Marcel Bienfait).

Responder com liberdade às exigências do meio é um estatuto do corpo e uma premissa adaptativa sem a qual adoecemos. Contar com as condições para que as solicitações do meio possam ser solucionadas pelo corpo, promovendo as mudanças necessárias de modo eficaz, sem limitações e isento de dificuldades extraordinárias, é sinônimo de uma vida longa e sem sofrimento.

“Quando o homem levantou seu corpo do chão, assumindo a postura ereta, as desvantagens de se apoiar sobre uma base pequena foram enfrentadas por vários dispositivos e através de mudanças estruturais. Estas mudanças se mostraram insuficientes para resolver todos os problemas. Como consequência, o funcionamento do esqueleto como um mecanismo de proteção é frequentemente colocado em risco por ajustes mecânicos inadequados. A inteligência humana deve ser aplicada a este problema” (Mabel E. Todd).

Feliz Natal, Peru.

6 dez

O peru está tão associado ao Natal quanto o Papai Noel, e, em que se pese a semelhança física entre ambos (o que pode causar alguns sérios equívocos), um deles certamente não escolheu estar em nossa casa durante as festas de fim-de-ano.

Seres sencientes são aqueles que sentem, que percebem e recebem impressões. Com certeza podemos tomar esta definição do Houaiss e aplicá-la indistintamente a qualquer peru entre o céu e a terra, mas quantas ressalvas teríamos que adotar para empregar o mesmo conceito aos homens? Isto posto, é bom que se diga, não queremos que ninguém termine este fim-de-ano no lugar do peru, em cima de uma bandeja, assado ao ponto, cercado de rodelas de abacaxi e laranja. O homem, afinal, tem provado no decorrer da história, ainda que tardiamente e ao custo de muita tolice, alguma evolução ética e de respeito ao próximo. Já ao peru, coitado, criado intensivamente e morto precocemente, não foi dada esta alternativa.

Na natureza, o peru vive em média 10 anos, mas é criado intensivamente em escala industrial, engordado artificialmente e morto em, no máximo, 26 semanas. Em tão pouco tempo de vida, o peru não tem tempo hábil para se organizar e negociar salvaguardas do tipo “somente peru violento deve ir ao forno“ ou “peru aposentado, peru assado.” A prerrogativa de escolher, julgar e executar coube a nós, seres conscientes, e a responsabilidade final pelos nossos atos acabaram indo parar nas mãos do divino e no colo das gerações futuras.

Ser consciente não significa apenas ter percepção do que ocorre dentro de si próprio, mas também contar com algum grau de objetividade sobre o que se passa em torno de si. Se não dominamos nossa capacidade de perceber, pensar ou agir; se excluímos nossa fração de responsabilidade do todo, não somos merecedores da alcunha de seres conscientes e, consequentemente, não somos legítimos signatários do gênero humano.

Ser humano é uma condição única na natureza na qual a própria vida se reflete, tornando possível certa autonomia sobre os impulsos mais primitivos. Assim, exercitar a reflexão liberta-nos, à medida que não fazê-lo aprisiona-nos.

Em todos aqueles que andam sobre a terra ou movem-se no ar, em todas as criaturas vivas ou inanimadas, reconheça Brahma.” Gheranda Samhita.

Boas Festas,

Namaste,

Franca & João

Geral

11 jul
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