O não movimento.

30 jul

Quando nasce, a criança lança braços e pernas em direção ao espaço em interação com o mundo. A combinação entre força e potência usada pelo bebê muitas vezes não é lá muito eficiente e, à primeira vista, parece desordenada e sem sentido. Fato é que sem o devido controle, a busca por um chocalho ou brinquedo se perde no caminho em direção ao objeto.

O movimento que expressa intenção requer um freio, um limite, um não-movimento. Neste contexto, liberdade e constrição não são antagônicos, mas variáveis da mesma equação e coexistem. São as restrições que se impõe ao curso do movimento, ao lado dos estímulos primeiros responsáveis pela ação, aquelas capazes de promover a completa expressão do corpo.

Com o passar dos anos, a impossibilidade de realizar toda a amplitude do movimento gesta movimentos compensatórios. É a eficácia do gesto, sua funcionalidade, e não sua qualidade que irá modelar o sistema nervoso e, consequentemente, todo o corpo em sua relação com o ambiente. A diversidade dá espaço a soluções econômicas e a variabilidade é deixada de lado para ceder espaço à estabilidade.

Tônus elevado em cadeia extensora leva não apenas à dificuldade de flexão dos quadris, mas de sua rotação interna e de flexão e eversão do tornozelo. A restrição imposta pelo cinto altera o curso da postura.

 

Assim, intervir no curso da ação ou postura está além do plano meramente cinético ou cinemático e envolve informação e mudança comportamental. Durante o aprendizado, ou ‘reaprendizado’, a maneira como se executa um movimento deve predominar sobre qual movimento executar e, a partir desta premissa, alterar o curso da ação em direção a seu objetivo.

 

Se recrutados na abertura do braço, os músculos que fazem a rotação externa do membro diminuem o trabalho para elevá-lo e aumentam a cooptação da articulação do ombro, aumentando sua propriocepção. 

 

Anteparos e suportes que parecem impor limites à ação, antes estabelecem as bases para a mudança. As restrições ao movimento com o objetivo de ampliá-lo são incapazes de promover alterações em si, devem antes ser associados a informações pertinentes ao gesto, abrindo caminho importante não só para a mudança como para o autoconhecimento.

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