Ano: 2021

Chega de alongar atrás das coxas!😩

Uttanasana

Posturas de Yoga costumam exigir flexão de quadris intensa e tendemos a imaginar que a musculatura posterior da coxa deve ser alongada para que possamos realizar ásanas como Paschimottanasa ou Uttanasana (foto). Antes, devemos entender que as fibras musculares são estruturas que se adaptam rapidamente aos estímulos impostos e, portanto, não são as principais responsáveis por impedir que você faça uma postura de yoga digna de foto.

 

 Ray Long

Os ligamentos da cápsula articular dos quadris, assim como a própria morfologia da articulação coxofemoral, sim, contribuem diretamente para posturas mais intensas e profundas. Aqui cabe lembrar que estas estruturas, diferente dos músculos, apresentam resposta lenta e irreversível aos estímulos e assim deve ser, uma vez que são as principais responsáveis pelo equilíbrio articular. Além do mais, a pelve é um osso humano que apresenta grande variabilidade anatômica e, portanto, a adaptação às posturas deve ser igualmente específica e individual.

Fischer, Barbara & Mitteroecker, Philipp. (2017). Allometry and Sexual Dimorphism in the Human Pelvis. The Anatomical Record. 300. 698-705. 10.1002/ar.23549.

A ênfase em alongar a cadeia posterior das pernas, sem o respectivo fortalecimento e respeito a morfologia articular de cada um, abre caminho para o desenvolvimento de inflamações crônicas dos tendões dos músculos posteriores da coxa e glúteos, assim como de suas respectivas bursas sinoviais.  Portanto, vamos com calma!

É importante saber que o fortalecimento da musculatura posterior da coxa e glúteos não irá limitar a realização de posturas de flexão de quadris, além de permitir a realização destas posturas com mais estabilidade e segurança. Posturas como Utkatasana e Virabhadrasana III (foto abaixo), quando incluídas na rotina diária da prática de Yoga, contribuem para o desenvolvimento saudável da prática.

Yoga Journal Magazine

 

 

 

 

Yoga Trata

Desde sua origem, a prática de Yoga está associada à promoção da saúde e participa do arcabouço terapêutico da Ayurveda – medicina milenar Hindu. Mas a associação entre a prática de Yoga e o tratamento de uma doença específica exige cuidados que vão desde a definição da doença até o entendimento de sua cura. Nestes termos, não é possível estabelecer um tratamento sem antes considerar a cultura onde a terapêutica se insere, quer seja oriunda da ciência contemporânea ou da anciã medicina oriental.

Através da categoria “Yoga trata” organizamos aulas onde posturas de Yoga dialogam diretamente com estruturas que podem estar implicadas no surgimento da dor com o objetivo primeiro de oferecer ferramentas ao praticante para tomar consciência e entender sua própria condição, colocando-se além do paradigma musculoesquelético.

Embora este seja um bom caminho para a resolução do problema, ou mesmo uma linha auxiliar ao tratamento , a prática de yoga não deve ser considerada uma via de mão única em direção à cura.

A primeira aula criada aborda a lombalgia e, embora existam estudos de boa qualidade científica relacionando a prática de yoga ao tema, tomamos por base estudos que evidenciam que a manutenção da mobilidade da coluna  é fundamental para um bom prognóstico, tanto quanto a imobilidade e a escassez gestual estão relacionadas a um pior desfecho.

Confira aqui.

 

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