Arquivo | junho, 2019

Agache.

28 jun

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Quando foi que paramos de nos agachar e começamos a usar cadeiras? Crianças agacham. A maioria da população mundial agacha-se diariamente para realizar suas atividades cotidianas. Durante milhares de anos, nossos ancestrais agacharam-se. No entanto, o cidadão médio ocidental nunca se agachou ou se sentou no chão por considerar esse ato primitivo ou deselegante.

Desde o momento em que nos acostumamos a sentar em cadeiras, não mais dobramos nossos quadris e joelhos acima de 90° por dias, meses, às vezes anos.

Lee stops to take a picture as he and Obama greet visitors during an official arrival ceremony on the South Lawn of the White House in Washington, U.S.

A maioria das articulações do corpo está embebida em líquido sinuvial. Quando as articulações se movem, o líquido sinuvial nutre a cartilagem dos ossos. Se você não tem o costume de explorar a amplitude completa das articulações , o líquido sinuvial deixa de nutrir a totalidade da superfície da cartilagem de maneira eficiente, antecipando seu desgaste.

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A manutenção da amplitude de movimento relaciona-se estreitamente com nossa própria expectativa de vida. Ficar em pé a partir da posição sentada no chão, por exemplo, é um importante preditor de mortalidade entre pessoas de 51 a 80 anos de idade. Esse movimento demanda equilíbrio, força e alongamento ao mesmo tempo e conseguir realizá-lo de maneira eficaz dá uma idéia geral da saúde de nosso sistema músculo-esquelético que, por sua vez, aponta para nossa expectativa de vida.

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Então, fica a dica: Se você não tem um comprometimento severo nos joelhos, quadris ou tornozelos, agache-se no mínimo 3 vezes por dia por 30 segundos.

 

O Mito da Simetria.

4 jun

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Um ombro é mais alto que outro. Minha cabeça pende para um dos lados. Minha coluna tem muitas curvas. Minha coluna não tem curvas. Quando a gente descobre alguma assimetria no corpo e passa a associá-la à dor que sente, estabelece uma relação fantasiosa que, na maioria das vezes, retroalimenta-se.

Diferenças entre os lados esquerdo e direito do corpo acontecem normalmente e podem não estar diretamente relacionadas à dor. Antes sim, a dor provoca mudanças na postura e no movimento que são facilmente observadas, estabelecendo uma ligação aparente entre a dor e a assimetria observada.

Com frequência, assimetrias pontuais surgem como solução para suplantar dificuldades habituais ou para aliviar a dor. Aqui, mais do que uma restrição, o desequilíbrio viabiliza o movimento e mantém sua função.

O problema aparece quando, ao associar indelevelmente dor e desequilíbrio postural, a dor persiste mesmo quando seu fator desencadeante já deixou de existir, restando a assimetria e a dor previamente associada a ela. 

Quando se busca uma solução para problemas dessa natureza é preciso antes dissipar uma cortina de fumaça, pois a causa principal da dor não é tão evidente quanto aparenta ser. Nesse caso, a história de cada um, os hábitos e costumes, fatores de risco, enfim, a maneira como cada um se relaciona com o ambiente oferece pistas tão valiosas quanto uma avaliação clínica ou achado de imagem.

Como nem sempre é possível interferir na rotina a ponto de permitir que as mudanças necessárias para corrigir o problema aconteçam, é preciso que o pouco tempo dedicado à terapêutica seja especialmente elaborada para ‘inverter’ os malefícios da rotina, através de uma intervenção pontual. Isso, muito frequentemente, significa abrir mão de uma prática com a qual se tem grande afinidade em detrimento de outra, menos prazerosa talvez, embora mais eficiente.

A quebra do vínculo entre a dor e assimetria acontece de maneira independente: dor e assimetria devem ser encaminhadas de modo específico e separadamente, cada qual seguindo seu caminho. Buscar resolver um problema em função do outro significa aprofundar esta relação, sob o risco de acabar criando uma ligação que antes sequer existia.