Dor é Coisa da Sua Cabeça.

28 set

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“Breakfast, Lunch, Dinner” por  Jen Watson

Para onde você vai quando está com dor? Vai à farmácia ou no parque exercitar-se? A grande maioria das pessoas imagina que dor e movimento não combinam. No entanto, durante a prática de exercícios, o corpo é capaz de produzir analgésicos poderosos, sem efeitos colaterais e mais eficientes que os medicamentos disponíveis nas prateleiras da farmácia.

Endorfinas, encefalinas, endomorfinas e dinorfinas são analgésicos endógenos (feitos pelo próprio corpo), que se ligam a receptores opioides em vários órgãos e no cérebro, modulando a intensidade da dor.

Dor é a maneira que nosso corpo tem para dizer que estamos sob ameaça. Acontece que essa ameaça pode ser proveniente de muitos lugares e não apenas da região em risco. Assim, dor é multifatorial e inclui variáveis emocionais, ambientais, além de físicas. Esta idéia  é diferente do conceito tradicional de dor nociceptiva, aquela que começa em um lugar específico, estimula receptores de dor (nociceptores), viaja pelo sistema nervoso periférico e chega ao cérebro para ser interpretada. Dor, definitivamente, não é apenas nocicepção mas resultado de uma interação bio-psico-social e emerge de vários domínios.

A modulação da dor pelos opióides endógenos diminui as chances do organismo desencadear uma resposta exagerada ao estímulo doloroso, inibindo o ciclo em que dor aumenta a sensação de ameaça que, por sua vez, aumenta a sensibilidade à dor.

Opium

Estas substâncias, quando liberadas pelo organismo, contribuem para o aumento da tolerância à dor e, através de seu efeito sistêmico, têm resultado generalizado. Assim, alguém que sofre de dor crônica no ombro, por exemplo, pode beneficiar-se de uma caminhada.

Não se trata aqui de minimizar o uso de medicamentos, pelo contrário: o remédio adequado é um recurso muito valioso e não pode ser desprezado. O uso desmedido de analgésicos, por exemplo, pode inibir as respostas fisiológicas do organismo à dor e tornar o corpo dependente de doses cada vez maiores para obter o efeito desejado, tornando-o inócuo e perigoso. Perde-se, assim, um importante aliado no combate à dor.

Se a dor é uma experiência multifatorial, seu tratamento também deve ser e proporcionar  acolhimento, desenvolver resiliência e  construir auto-confiança, restaurando a esperança na cura.

 

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