Arquivo | fevereiro, 2016

Salvar Rascunho

14 fev

 

O atraso entre o pensamento e a ação é a base da consciência.

Moshe Feldenkrais.

 

Prazer e dor evocam igualmente nossas emoções. Na maioria das vezes, a interpretação dada a estes estímulos é único, oportuno e circunstancial e irá impactar de maneira distinta o corpo, desencadeando mudanças fisiológicas profundas e alterando o curso do movimento.

Não há, entretanto, conexões diretas entre os sistemas que controlam o movimento e os centros ligados às emoções. Esta relação, embora bastante extensa, é indireta e ocorre através de ‘loopings’ que potencializam ou inibem a resposta motora ao longo do tempo.

Assim, nossa postura e a maneira como nos movimentamos não são imediatamente afetadas pelo vai-e-vem de nossas emoções. Isso também significa dizer que o gestual e os padrões motores uma vez alterados, assim permanecem mesmo após a cessação daquilo que os sedimentou.

A maneira como damos sentido aos estímulos recebidos do meio, mais do que os estímulos em si, irão interferir e programar a maneira como nos movemos.

Se nossas interações com o mundo são baseadas em impressões prévias e determinadas por um pano-de-fundo de emoções, podemos entender que assim também será nossa postura, ou seja, um ‘pool’ de movimentos tão dificilmente alterado quanto as crenças e desejos que acabam sustentando nosso caráter.

O senso comum é fecundo em associar postura e emoção. Uma pessoa infeliz deve apresentar as costas arqueadas, a cabeça baixa, os passos curtos, enquanto se espera o oposto de alguém altivo e alegre. Esta perspectiva não é totalmente verdadeira, assim como também não é aquela que justifica a postura a partir de aspectos meramente ortopédicos ou biomecânicos.  As variáveis que intervêm no movimento têm origem precoce e devem persistir por muito tempo antes de tomar corpo.

Antes mesmo de balbuciar as primeiras palavras, o movimento já dá conta de expressar o repertório básico necessário para a manutenção da vida. Tudo aquilo que sacia, motiva, provoca repulsa ou dor reforça nossas atitudes até o ponto em que a ação passa a ser desencadeada sem mesmo precisar da experiência direta do estímulo.

Desta maneira, repetição e recompensa irão perpetuar nossa personalidade, postura e gestos.

Our impressions form our programming and our personality and permeate every aspect of our being, even our body postures, alignment and gestures. In yogic terms this programming is known as ‘klesha’. It is based on our likes, dislikes and our acceptance of the transient world as the only reality. Based on this programming, we react to the external and the internal environment. The ‘vrittis’ are the reactive mode and the ‘kleshas’ are the programming. They feed and reinforce each other. It is like a vicious circle. For example, you do not like bitter tasting food. The very name of that item creates a reaction within you. It is possible that sometimes that item is made well and may not be all that bitter but…by that time you have already gone into the reactive mode!

Swami Vigyanchaitanya Saraswati

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