Arquivo | maio, 2012

Ashtanga Yoga em Caraguatatuba.

15 maio

É com grande prazer que convido a todos para participarem do nosso workshop de ashtanga em Caraguatatuba, a ser ministrado por mim, com o inestimável apoio da nossa amiga Lye Otani, que nos cedeu sua casa para realizarmos nossas práticas e nos hospedarmos.

A idéia central desse workshop é passarmos um tempo juntos, praticando Ashtanga Yoga, cozinhando juntos e nos conhecendo melhor.

O workshop ocorrerá nos dia 07, 08 e 09 de junho, com a seguinte programação.

07 de junho (quinta)

08:00 – aula mysore

11:00 – aula técnica

18:00 – aula do Bhagavad Gita

08 de junho (sexta)

7:30 – aula mysore

10:00 – princípios do Ashtanga Vinyasa Yoga

18:00 – aula do Bhagavad Gita

09 de junho (sábado)

7:30 – aula mysore

10:00 – perguntas e respostas

Sairemos de São José na quinta bem cedo para chegarmos direto para a prática. Portanto peço que cada um dos participantes leve alguma preparação para compartilharmos no nosso café da manhã. Se possível vamos lotar os carros para dividirmos o valor do combustível.

Amigos e familiares, ainda que marinheiros de primeira viagem no ashtanga, são bem vindos. Convide-os.

O valor do workshop para os três dias é de R$ 120,00, ou R$ 40,00 por dia, para aqueles que não puderem ficar todos os dias.

Como já disse, iremos nos hospedar na casa da Lye, que acolhe bem 10 pessoas. Portanto, não deixem a inscrição para última hora.

Nossas refeições em casa serão compartilhadas e rateados os custos. Comecem a separar as receitas dos quitutes!

Bem, é isso aí pessoal. Espero contar com a presença de todos.

Qualquer dúvida entrem em contato: ashtangayogasjcampos@ig.com.br

Yogindra Das

Caminho de Volta.

6 maio

‘I walk alone’ de Gottfried Helnwein (2003)

Todos nós temos um potencial latente, não desenvolvido por completo, acumulado à custa do esgotamento de sistemas mais econômicos e confortáveis. De maneira congênita, apoiamos nosso desenvolvimento sobre estruturas mais convenientes, repetindo padrões de movimento à exaustão.

Com sulcos profundos cavados no caminho da ação, tendemos a incorrer na vala já aberta dos enganos, a despeito da riqueza de movimentos disponível. Nossa conduta motora está dominada por atividades reflexas inconscientes, reforçadas e consolidadas pelo tempo.


Protuberâncias e sulcos na cabeça do úmero evidenciam-se com o tempo em função das tensões exercidas pelos tendões que cruzam a articulação.

Muitas vezes, um movimento não é deturpado durante sua realização, mas em sua concepção. Por não participar de nossa narrativa motora, determinado movimento simplesmente não é concebido e, portanto, a chance de realizá-lo inexiste.

Assim, o desenvolvimento do potencial motor passa, necessariamente, pelo aumento de seu repertório.

Atividades físicas que exploram a riqueza e a diversidade de movimentos não são, em si, garantia de alteração na maneira como respondemos aos desafios propostos, tampouco de mudança nos padrões adquiridos. Sem a nossa intervenção deliberada, percorreremos sempre o mesmo atalho, ainda que de maneiras diferentes e de acordo com a natureza da atividade física proposta.

Trilhar um caminho realmente diferente e sem obstruções requer disciplina para abrir uma picada em meio a padrões consolidados e enfrentar percursos frequentemente mais longos e tortuosos.

Liberdade com disciplina é liberdade de fato. (BKS Iyengar).

O desenvolvimento motor inicia-se pela estabilização da cabeça, do tronco e, por último, dos membros, seguindo uma direção cervico-caudal. A aprendizagem de movimentos coordenados, entretanto, segue o caminho inverso, propagando-se das extremidades do corpo em direção à cabeça.

Desde nosso desenvolvimento embrionário, a posição da cabeça influi no movimento total do corpo. Virar a cabeça para o lado e olhar um objeto leva imediatamente o pescoço, os ombros e o tronco na mesma direção. Quando agarramos o objeto, são os dedos das mãos que irão recrutar cotovelos, ombros e tronco para movimentá-lo. O caminho de ida é diferente do caminho de volta.

Aos 6 meses de vida os movimentos descontrolados dão lugar a um controle progressivo da cabeça, dos membros e do tronco.

O movimento irradiado a partir das extremidades do corpo, onde estruturas delicadas contam com grande mobilidade e precisão, interfere na organização de estruturas mais fortes, responsáveis pela manutenção postural, por exemplo.


Ameya Gokhal 2008. BKS Iyengar ajustando praticante de yoga. 

Dispositivos complexos como as mãos e os pés reorganizam o movimento global do corpo ao conectarem-se a unidades de transição como os ombros, quadris e escápulas, promovendo mudanças profundas na maneira como nos relacionamos com o espaço. A propagação de um movimento voluntário para outro não é causal e segue um padrão específico dos grupos musculares (Charles Sherrington).

A implicação das extremidades do corpo no aumento do repertório somático  possibilita a aprendizagem de movimentos antes desconhecidos. Só então uma a atividade física que explore a riqueza de movimentos poderá promover a mudanças de fato.

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