Arquivo | abril, 2011

B.K.S. Iyengar for PETA

17 abr

Conhecida pela determinação de seus militantes e pela agressividade de suas campanhas a PeTA tornou-se a ONG mais conhecida no mundo quando se fala em defesa dos animais. A combatividade explica-se, afinal, nunca antes na história os animais foram vítimas de tantos abusos e maus-tratos, encarados hoje como simples peças de uma engrenagem que não pode parar.

O brutal impacto no meio-ambiente e a degeneração no quadro de saúde de populações inteiras refletem um aspecto do abuso.  A dissociação ética presente na raiz da matança é o gene presente na violência desenfreada.

Aos 92 anos, o yogi B.K.S. Iyengar estrela do ultimo anúncio da PETA,  afirma:

“Se animais morressem para encher meu prato, minha cabeça e meu coração se tornariam pesados de tristeza. Tornar-se vegetariano é a maneira de viver em harmonia com os animais e com o planeta.”

Emotion-driven motions.

9 abr

Emovere é uma palavra em latim que significa movimento e expressão. Emovere também está na raiz da palavra emoção.

Intuitivamente, interpretamos facilmente traços de personalidade e humor a partir de sinais do corpo. No absoluto silêncio, o corpo transcende cultura, raça e espécie e se faz entender.  O corpo, enfim, é a língua franca das emoções.

Totentanz de Franz Liszt por Valentina Lisitsa

Certo estado de espírito pode ser traduzido em gestos, movimentos e posturas. Os animais, por exemplo, podem expressar afeto, raiva, apreensão ou medo com todo o corpo, deixando claro o que sentem e quais são suas intenções. Já um ator pode interferir nestes sinais do corpo deliberadamente para criar empatia entre a personagem que representa e a platéia. A desconexão entre o corpo e as emoções, por outro lado, aponta para patologias severas como o transtorno do pânico.

Jean Martin Charcot e sua paciente Blanche Wittman padecendo de ataque histérico em pintura de Broulliet (1887).

O cérebro dos mamíferos libera substâncias neurotransmissoras que desencadeiam alterações no estado emocional e modulam a liberação de hormônios. Os chamados neuropeptídeos têm efeito sobre as áreas cerebrais responsáveis pela modificação dos parâmetros de humor, excitação, depressão e dor. No sistema nervoso estas substâncias são responsáveis pela comunicação que ocorre entre os neurônios e irão influenciar a execução de todas as atividades físicas e mentais de nosso organismo. O sistema nervoso, porém, não é o único destino destas substâncias, que encontram receptores espalhados pelos tecidos e órgãos de todo o organismo. As emoções, assim, não ocorrem no cérebro apenas, mas se expressam e fazem parte do corpo. Um desequilíbrio na produção destes neurotransmissores pode levar algumas partes do cérebro a transmitir informações e comandos incorretos.

O estado adrenérgico encontrado em pessoas ansiosas, por exemplo, tende a acompanhar um alto tônus muscular basal, o que coloca a musculatura em estado de tensão permanente, alterando a maneira como o corpo se organiza no espaço.

Assim, tão importante quanto determinar quais músculos estão encurtados ou qual articulação apresenta osteoartrose é buscar entender a dinâmica que orquestra estes estados.

Interagindo continuamente com o meio ambiente, o corpo é o lugar par excellence onde a experiência acontece. Os sinais que provém do corpo são organizados, categorizados e integrados pelo sistema nervoso a outras experiências formando as representações básicas daquilo que chamamos de eu.

Só poderá haver uma mente normal, se os circuitos cerebrais contiverem representações básicas do organismo e se continuarem a monitorar os estados do organismo em ação. Em suma, os circuitos neurais representam o organismo continuamente. Perceber é interagir, não receber (A. Damásio)

Se as informações que vem do corpo em direção ao cérebro são truncadas ou distorcidas, o controle motor está comprometido a priori e qualquer esforço tende a ser inócuo.  Igualmente, se o input aferente é desvirtuado as representações do organismo e do meio serão distorcidas e o desequilíbrio tende a persistir a guisa de intervenções.

Desta maneira as emoções conduzem o controle motor somático.

Assediar o movimento com atenção e executar ações precisas, com clareza de propósito e consciência evidencia os processos mentais e os movimentos ulteriores. A compreensão de que o corpo e a consciência formam um todo sustenta as estratégias que irão por às claras os padrões motores recorrentes e lançar luz sobre os processos mentais.

Se a atenção não está alocada no próprio corpo durante o movimento, como habitualmente ocorre em ambientes cheios de estímulos audio-visuais, não há consciência e os exercícios passam a ser executados mecanicamente. Sem reflexão, os padrões viciosos são consolidados e ampliados. Na melhor das hipóteses, o resultado é inexpressivo e se traduz em completa perda de tempo.


Quando a atenção é colocada na postura ou no movimento, o foco é interiorizado e o exercício leva ao aprendizado, este sim promotor de mudanças. Consciência sobre o estado emocional e controle motor quando se está realizando um exercício terá impacto dramático no resultado funcional.


Equilíbrio, enfim, não é um atributo da amplitude de movimento ou da força muscular, mas resulta do quanto se tem de controle sobre a amplitude e força disponíveis (Lee). Equilíbrio é uma característica da consciência.

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