Arquivo | novembro, 2010

STC

27 nov

A Síndrome do Túnel Carpal (STC) é um problema comum no ambiente de trabalho e causa de enfermidade recorrente. Tem elevado potencial debilitante e impacto financeiro direto devido a afastamento do trabalho e aumento nos gastos com despesas médicas.

Tradicionalmente, STC vem sendo tratado com agentes antiinflamatórios, imobilização da articulação do punho, fisioterapia e cirurgia. Entretanto, muitas destas opções não têm oferecido alívio satisfatório. Yoga tem sido usado para aliviar alguns dos sintomas músculo-esqueléticos. O estudo aqui em parte resumido demonstrou aumento na amplitude de movimento e redução da dor durante a atividade em pacientes com osteoartrite que realizaram o programa de Yoga.

A prática de Yoga mostrou-se eficiente porque o alongamento na região afetada alivia a compressão no túnel carpal. Ao determinar uma melhor posição articular, os exercícios diminuem a compressão intermitente, aumentando o fluxo sanguíneo que reduz a isquemia do nervo medial. Neste artigo foram apresentados os resultados de uma intervenção usando o Modelo de Controle Aleatório (RTC) com técnicas de Yoga especificamente aplicadas para o tratamento de pacientes com Síndrome do Tunel Carpal.

O estudo foi realizado em 51 pacientes escolhidos a partir de um universo de 400 inscritos foi realizado na Geriatric Center of the University of Pennsylvania – PA. E aprovado pelo conselho da Presbyterian Medical Center, Philadelphia- PA e publicado em 22 de dezembro de 2009.

Os participantes da pesquisa foram divididos em dois grupos. O grupo de controle recebeu o tratamento tradicional, enquanto o grupo de Yoga recebeu uma intervenção baseada em posturas que objetivavam aumentar a flexibilidade e corrigir o alinhamento do membro superior e aumentar a percepção sobre a posição articular das mãos. O estudo usou a abordagem proposta por B.K.S Iyengar, mestre de hatha yoga que enfatiza o alinhamento estrutural do corpo. O método é ordenado e progressivo e as posturas foram adaptadas para atender as condições dos participantes. A partir de posturas de Yoga (ásanas), a postura habitual pode ser melhorada. Quando o alinhamento músculo-esquelético melhora, a habilidade para realizar o ásana também melhora. Os benefícios potenciais deste método incluem aumento da força, coordenação motora e flexibilidade. A seqüência usada neste estudo foi elaborada para atender indivíduos com STC. Os exercícios foram realizados com indivíduos na posição em pé ou sentados com o objetivo de levar as articulações envolvidas a sua maior amplitude de movimento, com alongamento, força e equilíbrio. Toda sessão terminou com uma sessão de relaxamento em que o corpo permaneceu imóvel (savasana). O programa foi ministrado em aulas com duração entre 1 e 1 ½ hora, duas vezes por semana por 8 semanas.

1. Dandasana. Sentado em uma cadeira, com o tronco na vertical, pressione as mãos contra o assento. Pressione as escápulas contra as costas e leve os ombros para trás e para baixo.

2. Namakar. Com as mãos em posição de prece, una e pressione os dedos das mãos, posicionando-os fora do alinhamento ulnar. Relaxe as mãos e repita o procedimento abrindo os dedos das mãos em leque. Repita pressionando os metacarpos de cada dedo e afastando os dedos das mãos em hiper-extensão.

3. Urdhva hastasana. Leve os braços para frente e para cima, com as mãos verticais e os cotovelos estendidos. Alongue as laterais do corpo.

4. Parvatasana. Braços extendidos sobre a cabeça, como os dedos entrelaçados com o polegar direito sobre o esquerdo. Vire as palmas das mãos para fora. Estique os cotovelos. Erga o tronco a partir dos braços e leve os braços para trás. Repita com o polegar esquerdo sobre o direito.
Jathara Parivartanasana

5. Garudasana. Braços entrelaçados em frente do tronco. Dobre seus cotovelos cruzando os braços em frente do peito, flexione os antebraços. Cruze o cotovelo esquerdo sobre o direito e afaste a mão esquerda, cruzando o antebraço esquerdo atrás do direito. Uma as palmas das mãos. Eleve os cotovelos e desça o ombros. Repita para o outro lado.
Garudasana

6. Baradvajasana na cadeira. Sente-se de lado na cadeira, com a coxa direita contra o encosto. Alongue o tronco para cima e os ombros para trás. Mantenha os joelhos unidos. Sem mover a bacia, vire-se para o encosto. Repita para o outro lado.
bharadvajasana

7. Tadasana. Em pé, com os maléolos internos unidos e o peso igualmente distribuído sobre os calcanhares internos e externos, erga as patelas. Suba o alto do peito e as clavículas.
Tadasana

8. Ardha Uttanasana. Em pé, com os calcanhares afastados, estenda os braços sobre a cabeça. Flexione o tronco em 90 graus, na altura do quadril e alongue todo o corpo em direção à parede tocando as mãos com a parede.
Ardha uttanasana

9. Virabhadrasana I (somente os braços). Em pé, estenda os braços com as palmas das mãos unidas. Gire os braços, fechando as axilas, mantendo os dedos das mãos unidos. Afaste as mãos, deixando os braços paralelos. Alongue as laterais do tronco e volte a unir as palmas das mãos. Trave os cotovelos.
Virabhadrasana I hands only

10. Salabhasana (variação). Ênfase na posição das mãos. Deitado em decúbito ventral, leve as palmas das mãos sobre o acento da cadeira. Estenda os braços e erga o peito, o quadril e os joelhos. Desça os ombros. Leve o cóccix para frente, mantendo os glúteos firmes. Alongue a parte anterior do tronco para cima, a partir do osso púbico. Erga o esterno e as costelas e pressione as escápulas para frente (veja comentário).
Salabhasana Variation

11. Paschima namaskar. Em pé, una as mãos atrás das costas com os dedos apontando para baixo. Vire os dedos das mãos para cima e suba as mãos entre as escápulas o mais alto possível, sem separar as mãos. Pressione o quinto dedo e a borda externa das mãos contra as costas e abra o peito. Ombros para trás e para baixo.
paschima namaskar

12. Relaxamento. Deite-se com as costas no chão e com os braços ligeiramente afastados do corpo. Palmas das mãos para cima. Calcanhares unidos e artelhos afastados. Feche os olhos, respire profundamente e concentre-se na expiração. Relaxe o maxilar inferior, a língua e os olhos. Fique nesta postura entre 10 a 15 minutos.

Os pacientes no grupo de Yoga tiveram significante acréscimo na força das mãos e redução na dor. Neste estudo, um programa sem o uso de remédios, equipamentos ou cirurgia, reduziu a dor e aumentou a força nas mãos dos pacientes. Ainda que não tenha sido estudado aqui, um programa supervisionado não é útil apenas para tratar os sintomas, mas também prevenir que os sintomas voltem a ocorrer. Muitos dos pacientes estudados relataram que apresentaram melhoras mesmo depois do fim do tratamento, durante as 4 semanas que se seguiram após o tratamento.

Confira estudo completo aqui.

A Deriva.

17 nov

Da cabeça até a bacia, toda a extensão das costas está coberta pela coluna vertebral, que assenta o peso do corpo, vértebra após vértebra, com carga crescente até articulação sacro-ilíaca. Não há conexão semelhante na parte anterior do corpo, onde músculos e tecidos conjuntivos suspendem segmentos intermitentes, do occipital ao ossos púbico. Se estruturas rígidas como as vértebras suportam as forças compressivas nas costas, são composições flexíveis como as dos músculos escaleno, intercostais e abdominais que suspendem os segmentos na frente do tronco, equilibrando o corpo.

Como cordames atados a um mastro de vela, os músculos do pescoço equilibram o crânio sobre a cervical. A grande mobilidade da cabeça no espaço não é dada pela articulação do crânio com o pescoço (a. occípito-atloidiana), mas pela coluna cervical e, indiretamente, pelo corpo como um todo.

A posição da cabeça em relação ao corpo resulta das curvas fisiológicas, das deformidades e forças que agem na coluna. Ao mesmo tempo, os músculos que começam na base do crânio e pescoço desempenham papel fundamental na determinação da postura global ao suspenderem a parte anterior do corpo, das primeiras costelas até a pelve. Assim, a posição da cabeça é, ao mesmo tempo, causa e efeito de nossa postura.

‘Sanduichados’ entre músculos retesados e ligamentos poderosos, as artérias que nutrem o cérebro (carótidas), as vias de drenagem venosa (jugulares) e o sistema nervoso guardam relação muito estreita com os elementos móveis da coluna cervical.

Preservar o espaço destinado a estes elementos livre de obstrução dentro do pescoço requer intervenção deliberada na postura, uma vez que a rigidez torácica e dos membros superiores aumenta as exigências sobre a cervical e acaba sacrificando estes espaços.

Dobrar o pescoço para trás (hiperextensão) sem envolver o tórax, sobrecarrega a musculatura anterior da cervical, colapsa as espinhas vertebrais e diminui o diâmetro do pescoço, como evidenciam as pregas na pele da nuca. Tontura, náusea e dispnéia ao olhar para cima são sinais claros de que algo não vai bem e requer mudança. O praticante com rigidez torácica deve priorizar a mobilidade na região peitoral antes de trabalhar a flexibilidade na região do pescoço.

Ao elevar o primeiro par de costelas e descer os ombros, aumentamos a profundidade da cintura escapular, harmonizando a curva cervical. Graças aos músculos intercostais, todo o conjunto das costelas sobe, facilitando a respiração.

Não se trata simplesmente de favorecer um peito projetado à frente, tipo militar, mas um peito aberto, que conceda amplo espaço às artérias que irrigam o cérebro e mantenha livre de qualquer obstrução o sistema nervoso dentro do canal raquidiano.

O yogue B.K.S. Iyengar chama a região entre os primeiros pares de costelas e a clavícula de ‘olhos do peito’. Quando a musculatura peitoral está enrijecida, os ombros vêem à frente, o osso esterno desce e os ‘olhos se fecham’. Toda a musculatura posterior do corpo entra em tensão permanente, da base da nuca aos calcanhares.

Tanto no método proposto por B.K.S. Iyengar quanto na prática de Ashtanga Vinyasana Yoga, os ajustes posturais são amplamente empregados para criar condições seguras e necessárias para a evolução dos exercícios.

Posturas de Yoga cujo apoio recai sobre a cabeça ou ombros evidenciam de maneira quase caricatural muitos dos desequilíbrios posturais do praticante, porém as correções e ajustes aqui são difíceis e delicados. De execução aparentemente fácil, posturas como Sirsasana ou Sarvangasana escondem significativo risco de contusão. Se o pescoço é como um mastro de vela, imagine virar o barco de quilha para cima e equilibrá-lo sobre o mastro: a relação de forças se inverte. O corpo das vértebras cervicais é cerca de 50% menor que as lombares e não foi projetado para receber o peso do corpo todo. Assim, mais do que equilíbrio e força, o praticante precisa ter plena consciência de seu corpo para obter um alinhamento preciso na postura.

‘Sem saber onde estamos, não sabemos como chegar’. A consciência corporal deve ser adquirida antes em posturas em pé, sobre as quais temos mais controle do corpo, e evoluir gradualmente. Blocos, cadeiras e cintos podem ser encontrados pelo caminho.

Os desequilíbrios e assimetrias ficam evidentes à medida que aumentamos as exigências sobre a estrutura do corpo, e devem ser observados e corrigidos a tempo de evitar lesões. Ter consciência do alinhamento preciso da cervical e da cabeça, do equilíbrio lateral e ântero-posterior do corpo, da posição dos ombros são pré-requisitos para realizar a postura Sirsasana com segurança, por exemplo.

Para afinar nossa percepção sobre o próprio corpo é preciso coragem para encarar nossas dificuldades de frente e trabalhar com disciplina e desapego na realização de mudanças estruturais. É preciso coragem para se olhar no espelho e buscar não aquilo que queremos ver, mas aquilo que se esconde atrás do olhar.

Variações sobre Suryanamaskar

14 nov

Phillip Askew, instrutor de yoga, ao lado de Lydia Walker, ex-dançarina do School of American Ballet, apresentam “Variações sobre Suryanamaskar” como parte da Collaborative’s Fall Show no NY Center Studio, com improvisão do pianista Jonah Rank.

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